
Os dois partidos da oposição (PAICV e UCID) cabo-verdiana criticaram a decisão do Governo de gastar 1,36 milhões de euros na construção do Monumento Nacional Liberdade e Democracia, considerando que o “momento não é adequado”.
O secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (oposição), Vladimir Silves Ferreira afirmou que a questão que se coloca são os valores envolvidos e o momento em que se escolhe para fazer este investimento, “mas isto é próprio de um Governo que está perdido em fim de mandato e só assim se justifica ir por esse caminho”.
Vladimir Silves Ferreira acrescentou ainda que “não há razões” para um monumento numa rotunda, em Achada Grande Frente, na cidade da Praia, cerca de 1,36 milhões de euros. Ninguém de bom senso veria com bons olhos investir na construção de um monumento naquela dimensão, com estes custos, neste preciso momento”, considerou.
Já o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (oposição), João Santos Luís, considerou que, num cenário de “recursos limitados, em que as famílias enfrentam diariamente dificuldades de acesso aos serviços essenciais”, a decisão de gastar este valor, “por mais nobre que seja a sua intenção, parece deslocada da realidade concreta vivida pelos cabo-verdianos”.
“Dada a situação que o país vive, apelamos ao Governo para uma reavaliação desta medida. Não estamos a questionar o mérito simbólico da iniciativa, mas sim a sua oportunidade num contexto de tantas exigências sociais e económicas. Os monumentos podem esperar perfeitamente, a dignidade das pessoas é que não”, acrescentou.
Os preparativos no local para o arranque das obras já começaram gerando várias críticas nas redes sociais e pedidos para a sua suspensão, alegando que os recursos deveriam ser canalizados para resolver os problemas das ilhas afectadas pela tempestade de 11 de Agosto que provocou nove mortos e danos em estradas, casas, pontes e estabelecimentos comerciais.
O Governo, diz a Lusa, anunciou, a 31 de Julho, que o Monumento Nacional Liberdade e Democracia será concluído em pouco mais de seis meses.