
O Produto Interno Bruto (PIB) de Angola registou um crescimento de 1,08%, no segundo trimestre de 2025, quando comparado com o mesmo período de 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em nota divulgada nesta Sexta-feira, em Luanda, o INE refere que, na passagem do primeiro trimestre de 2025 para o segundo, a economia assinalou uma ligeira queda de 0,01%, considerando o ajuste sazonal, facto que revela uma desaceleração pontual no desempenho global.
O documento acrescenta que a estrutura da economia continua a reflectir contrastes, com o sector petrolífero a registar uma contracção de 8,65%.
Entretanto, a extracção e refinação de petróleo registaram um recuo de 8,65%, motivado pela redução de 10% nas quantidades extraídas de petróleo bruto, o que impactou negativamente em 1,87 pontos percentuais na variação global.
Em contrapartida, a extracção de diamantes, minerais metálicos e outros não metálicos cresceu 6,79%, com destaque para o aumento da produção diamantífera, que responde por mais de 90%, reflectindo ganhos de eficiência nas sociedades mineiras.
“O sector não petrolífero cresceu 3,43%, reforçando o seu peso na composição do PIB, enquanto a estrutura da economia continua a reflectir contrastes, com o sector petrolífero a registar uma contracção de 8,65%. A agro-pecuária e a silvicultura cresceram 3,14%, tendo contribuído com 0,60 pontos percentuais para a variação global. O aumento deveu-se à produção agrícola, que subiu 3,7% e representou mais de 70% do sector”, lê-se na nota.
No mesmo período, a pesca e a aquicultura registaram um crescimento de 3,30%, impulsionados pelo desempenho da pesca industrial e semi-industrial, que subiram 9% e responderam por cerca de 60% do sector.
A indústria transformadora registou um desempenho positivo de 5,15%, impulsionado pelos subsectores da produção de carnes, transformação de cereais e produtos de panificação, responsáveis por metade do peso da actividade, sendo que no ramo da energia e águas, a produção cresceu 2,93%, alavancada pelo aumento da produção hidroeléctrica em 2,4%, após o regresso à actividade de centrais em manutenção e a entrada de novos investimentos.
A construção evoluiu 2,01%, com impacto positivo de 0,1 pontos percentuais no PIB, sustentada pela maior produção de materiais de construção, em particular o cimento, que subiu 2,70% e representa 37% do sector.
O comércio e a reparação de veículos avançaram 6,50%, contribuindo com 0,82 pontos percentuais para o PIB, resultado da forte procura por bens agropecuários e importados, que representam 75% da actividade. Os serviços de alojamento e restauração cresceram 7,99%, sustentados pelo aumento das receitas hoteleiras e de restaurantes, que representam 77 por cento do sector.
O transporte e a armazenagem registaram um crescimento de 2,88%, apoiados no aumento de 0,4% no número de passageiros, que respondem por mais de metade da actividade.
O sector de informação e comunicação destacou-se com um crescimento expressivo de 38,12%, resultado da actualização metodológica e da expansão dos serviços de internet e telefonia, que subiram 46 e 38%, respectivamente.
Em sentido inverso, a intermediação financeira e seguros recuou 1,40%% por cento, penalizada pela menor produção dos bancos e pelo aumento dos preços, enquanto a administração pública, defesa e segurança social obrigatória caíram 1,50% por cento, devido à desaceleração das remunerações.
Os serviços imobiliários cresceram 2,97%, impulsionados pelo aumento populacional, indicador usado como proxy no sector, enquanto os outros serviços registaram 4,33% de crescimento, associados ao dinamismo das actividades empresariais, institucionais e sociais.
Os dados do INE evidenciam a continuidade do processo de transformação estrutural da economia angolana, com o sector não petrolífero a ganhar relevância crescente na composição do PIB nacional, passando de 79,90% em 2024 para 80,52% no primeiro semestre de 2025.