
O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta sexta-feira os dados referentes a julho sobre as expetativas dos consumidores europeus, que revelam um pessimismo generalizado relativamente à evolução dos principais indicadores económicos. Assim, os europeus esperam ganhar menos, pagar mais pelos produtos, enfrentar mais desemprego, ter casas mais caras e suportar juros mais altos no crédito.
No que toca à inflação, a percepção de subida é projetada para um horizonte de três anos, enquanto no curto prazo (12 meses) a expectativa é de que o índice de preços se mantenha estável. Em Portugal, a tendência de subida já se fez sentir, com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a divulgar, nesta sexta-feira, a sua estimativa rápida para agosto, que aponta para uma inflação de 2,8%, mais 0,2 pontos percentuais face a julho. Os meses de julho, agosto e setembro são, tradicionalmente, meses de férias, o que tende a pressionar os preços, tanto nos bens alimentares como nos serviços (hotelaria, restauração, entre outros).
Relativamente ao rendimento, as expetativas de crescimento do rendimento nominal dos consumidores nos próximos 12 meses diminuíram para 0,9% em julho (face a 1% em junho). Já o crescimento sentido das despesas nominais nos últimos 12 meses caiu para 4,7%, o nível mais baixo desde março de 2022. Por outro lado, o crescimento esperado das despesas nominais para os próximos 12 meses subiu ligeiramente para 3,3% em julho (3,2% em junho).
A par do sentimento de perda de poder de compra, cresce também o receio do aumento do desemprego. As expetativas para a taxa de desemprego nos próximos 12 meses subiram de 10,3% em junho para 10,6% em julho. Ainda assim, os inquiridos atualmente desempregados relataram uma probabilidade ligeiramente maior de encontrar emprego nos próximos três meses (22,6% em julho, face a 21,9% em abril). Já os trabalhadores empregados reportaram que a probabilidade de perderem o emprego nos próximos três meses aumentou de 8,4% em abril para 8,7% em julho.
No setor da habitação, os consumidores esperam que o preço das casas aumente 3,3% nos próximos 12 meses (3,1% em junho). “As expetativas para as taxas de juro de hipotecas nos próximos 12 meses aumentaram para 4,5% (face a 4,3% em junho)”, refere o BCE.
No balanço geral, as expetativas de crescimento económico para os próximos 12 meses tornaram-se mais negativas, passando de -1,0% em junho para -1,2% em julho.