
Pedro Duarte, ex-ministro candidato do PSD/CDS e IL à Câmara Municipal do Porto, dispensa 'linhas vermelhas' face ao Chega no âmbito autárquico, trocando-as por “princípios e políticas”, mostrando-se assim disponível para dialogar com qualquer força política se ganhar as eleições no concelho. Numa entrevista ao Observador, o candidato argumenta que a realidade local difere significativamente do panorama nacional, onde o PSD, ao nível da Assembleia da República, negoceia com o Chega e o PS, mas mantém com os populistas uma "linha vermelha" para acordos de governação.
No que concerne às suas prioridades, Pedro Duarte afirma que, em termos autárquicos, as "linhas vermelhas" devem incidir sobre "determinados tipos de princípios e políticas", e não sobre partidos. O candidato sublinha um "pensamento humanista, em que a pessoa humana está acima de qualquer outra coisa", assinalando que o Chega "esquece-se muito desse tipo de valores e princípios e vai atrás de populismos", nos quais diz não se rever. Apesar disso, garante que estará "disponível a conversar com toda a gente", para o "bom interesse da cidade do Porto".
Para contextualizar a sua posição, Pedro Duarte recorda que, na última vez que o PSD venceu as autárquicas no Porto, com Rui Rio, não obteve maioria absoluta e formou um acordo de coligação com o Partido Comunista Português, que era “bastante radical na altura”, governando durante quatro anos com um vereador comunista.
Em caso de vitória, Duarte é categórico ao afirmar que será a sua liderança a ditar a linha de ação, referindo que “vai ter de ser sempre qualquer outro partido, ou qualquer outro vereador, a adaptar-se à minha liderança, e não ao contrário”. O candidato sublinha que, se ganhar, será o presidente da câmara e liderará a equipa, não se adaptando a outras realidades.
Questionado sobre se assumirá o lugar de vereador, caso não seja eleito presidente, Pedro Duarte considera a questão "muito prematura". Diz que é candidato a Presidente da Câmara, sendo essa a sua principal motivação, e não um candidato focado em ser eleito vereador, ao contrário de outros, com "toda a legitimidade". Acrescenta que não seria "muito sério" da sua parte jurar que ficaria como vereador, uma posição que, acredita, o candidato do PS partilharia. Quanto à legitimidade de não ocupar o lugar de vereador, considera que "depende das circunstâncias", mas "acha que sim", tendo já testemunhado "muitos casos em que isso aconteceu, e não é censurável".