
Os EUA anunciaram esta sexta-feira que vão negar e revogar vistos a membros da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) antes da Assembleia-geral da ONU, em setembro, quando a França defenderá o reconhecimento de um Estado palestiniano. "O secretário de Estado Marco Rubio está a negar e a revogar vistos de membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Palestiniana antes da próxima Assembleia-geral das Nações Unidas", de acordo com um comunicado emitido pelo Departamento de Estado norte-americano.
"O Governo de [Donald] Trump tem sido claro: é do nosso interesse de segurança nacional responsabilizar OLP e ANP por não cumprirem os compromissos e por minar as perspetivas de paz", acrescentou, sublinhando que a administração norte-americana está a "reafirmar o compromisso de não recompensar o terrorismo".
O Governo israelita agradeceu já a Washington a decisão de negar e revogar vistos de diplomatas palestinianos, que tinha previsto participar na Assembleia-geral da ONU.O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, agradeceu, na rede social X, a Rubio "por exigir responsabilidades à OLP e à ANP por recompensar o terrorismo, incitar e usar a guerra legal contra Israel" e a Trump pelo apoio continuado ao país.
Na quinta-feira, a França e a Arábia Saudita apelaram em Nova Iorque para uma ampla participação e ao mais alto nível, dos Estados-membros da ONU num evento de apoio ao reconhecimento do Estado palestiniano, a 22 de setembro na sede da ONU.
O embaixador adjunto de França na ONU, Jay Dharmadhikari, disse que o secretário-geral da ONU, António Guterres, deverá estar presente no arranque do evento, assim como a presidente da 80.ª sessão da Assembleia-geral da ONU, Annalena Baerbock, e representantes palestinianos.
Contudo, Rubio defendeu que, para que a OLP e a ANP possam ser consideradas parceiras pela paz, devem repudiar consistentemente o terrorismo - incluindo o massacre de 7 de outubro de 2023 - "e pôr fim à incitação ao terrorismo na educação, conforme exigido pela lei norte-americana e prometido pela OLP".
O secretário de Estado instou ainda a ANP a cessar os esforços para garantir o reconhecimento unilateral de "um Estado palestino conjetural".
"A ANP também deve pôr fim às tentativas de contornar as negociações através de campanhas de guerra jurídica internacional, incluindo apelos ao Tribunal Internacional de Justiça e do Tribunal Penal Internacional, e aos esforços para garantir o reconhecimento unilateral de um Estado palestiniano conjetural", indicou.
Ainda de acordo com o Departamento de Estado, ambas as medidas contribuíram materialmente para a recusa do grupo islamita palestiniano Hamas em libertar os reféns e para o fracasso das negociações de cessar-fogo em Gaza.
A revogação de vistos não será aplicada à missão da ANP na ONU, isenta desta decisão, ao abrigo do Acordo de Sede da ONU, explicou Rubio.
Os EUA permanecem abertos a negociações que sejam consistentes com as leis norte-americanas, caso a ANP e a OLP "cumpram as obrigações e demonstrem tomar medidas concretas para retornar a um caminho construtivo de compromisso e coexistência pacífica com o Estado de Israel", concluiu o documento.
Em julho, França e a Arábia Saudita promoveram uma Conferência Internacional para a Solução de Dois Estados, a qual terminou com uma declaração assinada por vários países que "apoiaram inabalavelmente" uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e para a guerra na Faixa de Gaza.