
Interrogações serão mais do que muitas sobre o que quer a UAE Emirates da Vuelta. Quer a geral, com João Almeida? Quer ganhar o máximo de etapas que puder? Quer tudo e mais um par de botas? Com a primeira semana da competição a terminar, ainda é difícil perceber, mas a equipa continua, pelo menos, a ganhar.
Pela terceira etapa consecutiva, a equipa dos Emirados Árabes Unidos, a mais portuguesa do pelotão, venceu na Volta a Espanha, nos dois últimos dias em momentos de terreno empinado. Depois do triunfo no contrarrelógio por equipas, da vitória de Jay Vine na quinta-feira, Juan Ayuso lambeu as feridas da hecatombe da véspera para cumprir, rapidamente, aquilo que havia prometido: sem aparente capacidade de lutar pela geral, ia tentar açambarcar etapas.
O jovem espanhol atacou bem cedo, na primeira das quatro contagens de montanha do dia, num momento a solo que se transformaria mais tarde num grupo de 12 ciclistas, onde estavam ainda Vine, em busca de pontos da montanha, e Mads Pedersen, entre outros. Lá atrás, o líder da equipa, João Almeida, seguia tanto quanto possível acompanhado pelos restantes ciclistas da UAE que não terão liberdade para tentar a glória individual.
De longe o ciclista com maior capacidade de sherpa do grupo dos escapados, Ayuso não desperdiçaria, então, a oportunidade de vencer pela segunda vez esta temporada em grandes voltas (ganhou uma etapa no Giro), atacando com facilidade a 10 quilómetros da meta, já na última subida do dia, no resort de Cerler. Marco Frigo ainda o tentou seguir, mais tarde também o compatriota Raul Garcia Pierna, mas o inferno do dia anterior, em que se desligou da corrida quando o terreno começou a encabritar-se, transformar-se-ia mesmo em glória.
Lá atrás a Visma controlava a corrida, protegendo Jonas Vingegaard, antes da UAE endurecer o ritmo, com o único homem que lhe restava, Marc Soler. Um ataque forte de João Almeida reduziu o grupo dos favoritos - Almeida, Vingegaard e Ciccone soam a pretendentes máximos ao pódio - mas não o suficiente para fazer diferenças. O grupo chegaria a 2.35 minutos de Ayuso, com Torstein Træen incluído - o norueguês da Bahrain manteve-se quase sempre junto dos melhores e não perdeu tempo na liderança da prova. Com uma etapa plana no sábado e outra unipuerto no domingo, Træen pode mesmo entrar na segunda semana da Vuelta vestido de vermelho - Antonio Tiberi, aposta da Bahrain para a geral, perdeu 15 minutos. Na mesma geral, João Almeida é agora 3.º, a 2.41 de Træen.
A etapa de sábado, com final em Saragoça, não apresenta qualquer dificuldade e será matéria de sprinters.