A missão de Marc Márquez: um duelo de irmãos pelo vice-campeonato

Num cenário eletrizante que mantém os fãs na ponta da cadeira, Marc Márquez, o atual rei do MotoGP, não está apenas concentrado na sua espetacular caminhada rumo a mais um título mundial. O espanhol também assumiu a missão de apoiar o irmão, Álex Márquez, na luta pela vice-liderança da classificação. Enquanto Marc segue imbatível, Álex vê-se preso numa tempestade que ameaça arruinar a sua temporada.

Atualmente em segundo lugar no campeonato, Álex tem enfrentado uma batalha difícil marcada por lesões e infortúnios. As suas últimas prestações foram pouco convincentes, somando apenas 4 pontos em Budapeste e terminando num dececionante 14.º lugar. Nos últimos cinco Grandes Prémios arrecadou apenas 50 pontos, vendo a diferença para o irmão mais velho alargar-se dramaticamente de 50 para uns impressionantes 175 pontos. A origem desta queda? Uma fratura aparentemente menor num dedo, sofrida em Assen, que acabou por comprometer toda a sua consistência.

“Foi o que mais me atrasou”, admite Álex sem rodeios, reconhecendo o impacto que a lesão teve no seu rendimento. “A dor, a recuperação e não conseguir pilotar como antes limitaram-me bastante.” Este contratempo físico transformou-se numa crise de confiança, resultando em resultados desapontantes. O traçado exigente do GP da Hungria, que considerou “nada adequado ao meu estilo”, só agravou a situação. Ainda assim, mostrou resiliência: “Sem pânico, vamos voltar a ser rápidos.”

Enquanto o irmão mais novo lida com estas dificuldades, Marc surge não só como campeão, mas também como apoio familiar. O oito vezes campeão do mundo está consciente dos problemas de Álex e garante que fará tudo para o ajudar. “A lesão fez com que ele perdesse o ritmo”, analisou, reforçando, no entanto, a importância de manter o segundo lugar. “Agora que vamos para a Catalunha, ele voltará à luta. O mais importante é que se mantenha em segundo no campeonato”, afirmou, relativizando a gravidade do momento.

E o apoio de Marc não fica apenas nas palavras: “Vou dar o meu melhor para o ajudar a continuar a somar pontos, tal como ele me apoia a mim. Estamos cá um para o outro.” Esta aliança fraterna pode revelar-se decisiva nas próximas corridas.

Mesmo dentro da Gresini Racing, não há espaço para dramatismos. O colega de equipa, Fermín Aldeguer, rejeita a ideia de que Álex esteja em crise: “Não penso que esteja a passar um mau momento. Os dois últimos circuitos simplesmente não se adaptavam ao seu estilo.” Todas as atenções viram-se agora para Barcelona, palco onde Álex já brilhou no passado. “Depois de uma semana de descanso… veremos certamente um Álex muito forte”, acredita Aldeguer.

À medida que enfrenta a fase mais dura da sua temporada, Álex Márquez carrega o peso de manter o estatuto de vice-campeão e provar o seu valor dentro da Ducati, enquanto combate também os fantasmas mentais que acompanham os problemas físicos. Com a corrida da Catalunha à porta, este pode ser o teste definitivo à sua resiliência e determinação. Conseguirá superar a pressão ou cederá ao peso das expetativas? Só o tempo dirá neste emocionante duelo de irmãos e de resistência nas pistas do MotoGP.