
O julgamento do ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, acusado de planear um golpe de Estado depois de perder a eleição presidencial em 2022, começa terça-feira com mais de 3.000 pedidos para acompanhar presencialmente as sessões.
Num comunicado divulgado ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do país sul-americano, onde terá lugar o julgamento do ex-Presidente e outros sete réus, 3.357 pessoas solicitaram credenciamento.
No entanto, o tribunal informou que só poderá acomodar as primeiras 1.200 pessoas que se registaram devido ao espaço limitado e relatou que há 150 vagas disponíveis na sala de julgamento em cada uma das oito sessões programadas para acontecerem em 02, 03, 09, 10 e 12 de setembro.
No comunicado aponta-se que os demais interessados podem assistir ao julgamento por outros canais, como a TV Justiça, canal do Supremo Tribunal Federal no YouTube e a Rádio Justiça.
Além do interesse público, 501 jornalistas brasileiros e estrangeiros inscreveram-se para acompanhar o julgamento, considerado um dos mais importantes da história recente do país.
A partir da próxima terça-feira, cinco juízes que compõem a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começam a analisar o processo em que Bolsonaro e sete aliados são acusados dos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de património tombado.
Segundo o Ministério Público brasileiro, o ex-Presidente seria o "principal arquiteto" de uma suposta conspiração para anular os resultados das eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
A investigação concluiu que a última tentativa de manter Bolsonaro no poder após sua derrota eleitoral ocorreu em 08 de janeiro de 2023, quando milhares dos seus apoiantes invadiram e vandalizaram os edifícios da Presidência, do parlamento e do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.
O julgamento do ex-chefe de Estado e líder da extrema-direita brasileira também foi recentemente marcado pela interferência do Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que considera Bolsonaro vítima de uma "caça às bruxas".
Neste contexto, a administração Trump revogou o visto de vários juízes do Supremo Tribunal Federal e de outros órgãos governamentais do país, além de impor uma tarifa adicional de 50% a uma parte significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos.