«Há um fogo enorme no jardim da guerra/ E os homens semeiam fagulhas na terra/ Os homens passeiam co´os pés no carvão/ que os Deuses acendem luzindo um tição.»

Foi ao som de José Mário Branco que a Seleção portuguesa chegou à Xiaomi Arena em Riga para defrontar a todo-poderosa Sérvia, provavelmente a principal candidata à conquista do Eurobasket, do atual melhor jogador do mundo, Nikola Jokic.

Mas quem esperava que os Linces se apresentassem a jogar sobre brasas, não foi nada disso que se viu. E por muito que o Deus Jokic tenha incendiado a partida com uma exibição de nível NBA, os sérvios precisaram de ter fogo nas mãos durante três quartos do jogo para tirar Portugal da luta pelo resultado.

Basta dar esta imagem: alguém imaginava ver Jokic a festejar efusivamente um triplo de um companheiro a um minuto e vinte do final? Pois bem, aconteceu. Porque esse lançamento de Dobric colocou o resultado em 77-67, devolvendo a segurança dos dois dígitos de diferença.

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Na reta final, na ânsia de ainda ameaçar mais a vitória sérvia, os erros cometidos pelos jogadores lusos revelaram-se fatais. Mas a derrota por 80-69 frente a tamanha potência não pode envergonhar ninguém. Afinal, a FIBA dava 1 por cento de possibilidade de vitória lusa. Ela andou longe, é certo. Mas foi preciso uma Sérvia ao mais alto nível para ultrapassar a corajosa exibição portuguesa.

Fê-lo apoiado numa defesa agressiva que colocou muitas dificuldades ao super-ataque sérvio. E com Neemias Queta (6 pts, 2 res e 2 ast), principal figura da equipa, longe de fazer uma exibição ao nível por exemplo da estreia frente à Chéquia. Ao contrário de Nikola Jokic, que só teve direito a descansar no último período e que terminou com o habitual duplo-duplo, com 23 pontos e 10 ressaltos, aos quais juntou três assistências e dois roubos de bola.

Portugal ainda liderou o marcador durante mais de três minutos, sempre no 1.º período e o equilíbrio foi a nota dominante de um jogo cujo resultado ao intervalo registava a primeira vantagem sérvia na casa dos dois dígitos (43-33) e que só no início do terceiro período destoou. O culpado, como seria de esperar, foi o três vezes MVP da NBA, Nikola Jokic que entre o final da 1.ª parte e o início da 2.ª marcou 13 pontos seguidos da Sérvia.

Isso permitiu ao conjunto balcânico alcançar a maior vantagem no encontro, que se cifrou em 18 pontos (53-35). Mas quando se podia esperar que essa diferença abalasse os jogadores lusos, o que se viu foi uma reação que permitiu voltar a reduzir para 10 pontos a cerca de um minuto do terceiro quarto.

Sem Jokic em campo, os linces ainda venceram o último parcial, mas a diferença de experiência – e de qualidade das opções, deve-se assumir – permitiu à Sérvia segurar o expectável triunfo.

No ataque, Diogo Brito protagonizou uma exibição de sonho e liderou a armada portuguesa, com números muito semelhantes aos conseguidos por Jokic: 22 pontos, nove ressaltos, duas assistência e dois roubos de bola. Travante Williams (15) e Diogo Ventura (11) também chegaram aos dois dígitos, mas foi mesmo no coletivo que esteve a força da equipa lusa. Nem podia ser de outra forma para travar esta Sérvia.

O próximo jogo de Portugal é contra a Turquia, já neste sábado, às 19h15.