Os recentes ataques com drones e mísseis da Rússia à Ucrânia, que resultaram em várias vítimas civis e danos em zonas residenciais, "colocam em dúvida a seriedade do desejo de paz" de Moscovo,advogaram hoje os Estados Unidos.

Numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU focada no último ataque russo, que envolveu quase 600 drones e mais de 30 mísseis balísticos e de cruzeiro, o diplomata norte-americano John Kelley questionou as alegadas intenções de Moscovo em prol da paz e exigiu que os ataques a áreas civis cessem imediatamente.

"A Rússia precisa de decidir agora caminhar em direção à paz. Os líderes da Rússia e da Ucrânia precisam de concordar em reunir-se bilateralmente", instou Kelley.

O diplomata recordou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, alertou para a possibilidade de impor novas sanções económicas contra a Rússia, caso Moscovo optasse por continuar a guerra contra Kiev, "medidas essas que poderiam ter um impacto de longo alcance na prosperidade económica futura da Rússia".

"Os Estados Unidos apelam à Federação Russa para que evite estas consequências, cessando a violência e empenhando-se construtivamente em pôr fim à guerra", insistiu o representante de Washington na ONU.

A Rússia lançou 598 drones e 31 mísseis contra a Ucrânia num ataque noturno entre quarta e quinta-feira, de acordo com as autoridades ucranianas.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que pelo menos 25 pessoas foram mortas e mais de 50 ficaram feridas durante os ataques, de acordo com um novo balanço.

A vítima mais nova "nem sequer tinha 3 anos", acrescentou o líder ucraniano.

Na quinta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump "não estava feliz" com os últimos acontecimentos, mas também "não estava surpreendido", observando que tanto a Rússia quanto a Ucrânia lançaram ataques uma contra a outra.

A reunião de hoje do Conselho de Segurança foi solicitada pela Ucrânia e contou com o apoio da Dinamarca, França, Grécia, Coreia do Sul, Eslovénia e Reino Unido.

Libkos

No encontro na sede da ONU, em Nova Iorque, esteve presente a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, que garantiu que Moscovo tem em curso uma campanha deliberada para atingir civis ucranianos.

Exibindo imagens de alguns civis mortos no ataque russo, incluindo crianças, Yulia Svyrydenko pediu ao Conselho de Segurança para que não fique em silêncio e insistiu que a Rússia seja privada dos meios para financiar a guerra e os seus crimes.

"Como é possível manter uma conversa genuína [sobre paz] enquanto a contribuição russa continua a ser os corpos de crianças ucranianas retirados dos escombros?", questionou.

"A Rússia continua a optar por matar em vez de terminar a guerra. Devemos ter isto em conta nos nossos esforços para uma resolução pacífica e para o estabelecimento de garantias de segurança fiáveis. Estas garantias protegerão tanto a soberania ucraniana como a vida do povo ucraniano, especialmente das crianças. O nosso povo deve sentir-se seguro", defendeu a primeira-ministra.

Yulia Svyrydenko frisou ainda que a Ucrânia necessita urgentemente de sistemas de defesa aérea adicionais para proteger o seu povo e território, assim como de capacidades de ataque de longo alcance para neutralizar as instalações militares russas a partir das quais os ataques são lançados.

"A agressão deve ser punida, nunca recompensada", concluiu a primeira-ministra, pedindo aos Estados-membros para que atuem "com coragem" contra a Rússia.

Por sua vez, o embaixador adjunto da Rússia da ONU, Dmitry Polyanskiy, negou a intenção de atingir civis, alegando que essas baixas devem-se "a estilhaços de mísseis e drones abatidos ou a mísseis de defesa aérea ucranianos que se desviaram do seu rumo".

Polyanskiy considerou ainda a reunião de hoje como "um teatro do absurdo", convocado pelo Ocidente com o objetivo de "prejudicar a Rússia".