
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, acusou hoje o Presidente russo, Vladimir Putin, de “escolher a guerra em vez da paz", após os ataques desta semana contra a Ucrânia com centenas de mísseis e ‘drones’.
"Neste momento, é claro que Putin está a escolher a guerra em vez da paz", disse Costa nas redes sociais após falar por telefone com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e de expressar as suas "sinceras condolências às vítimas" dos ataques russos de quinta-feira.
"Discutimos os esforços em curso para reforçar as defesas da Ucrânia através de garantias de segurança fiáveis e a longo prazo, bem como a necessidade de aumentar a pressão sobre a Rússia", disse Costa sobre a sua conversa com Zelensky.
"A Ucrânia pode contar com a Europa em todos os momentos", acrescentou.
Os ataques contra Kiev, que envolveram mais de 600 mísseis e 'drones', destruíram blocos de apartamentos na capital ucraniana na madrugada de quinta-feira e atingiram instalações da missão diplomática da União Europeia, numa altura em que Bruxelas e os Estados Unidos prosseguem esforços diplomáticos para promover uma solução negociada para o conflito iniciado com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, .
Zelensky indicou também hoje que pelo menos 25 pessoas foram mortas, incluindo quatro crianças, e mais de 50 ficaram feridas nos ataques russos contra Kiev.
Para o líder ucraniano, este ataque à capital da Ucrânia “absolutamente desprezível” mostra as “verdadeiras intenções” de Putin.
A vítima mais nova “nem sequer tinha 3 anos”, acrescentou o líder ucraniano, numa publicação sobre a conversa com Costa.
Na sexta-feira, foi declarado um dia de luto na capital ucraniana.
Durante muito tempo, a cidade de Kiev, que se situa longe da linha da frente e dispõe de amplas defesas antiaéreas, esteve relativamente a salvo dos piores ataques aéreos russos.
Mas os ataques particularmente mortíferos têm-se multiplicado nos últimos meses, com a Rússia a lançar um número recorde de ‘drones’ e mísseis.
Zelensky apelou mais uma vez a “sanções fortes” contra a Rússia para a obrigar a parar os bombardeamentos e a pôr termo à guerra desencadeada pela invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.
“A Rússia só entende a força (...). Os Estados Unidos, a Europa e os países do G20 têm essa força”, declarou.
Os líderes europeus condenaram veementemente o bombardeamento de Kiev, afirmando que este demonstrava que Moscovo não estava verdadeiramente interessada em negociar o fim da guerra.
Paris e Berlim anunciaram hoje que vão fornecer mais defesas aéreas à Ucrânia, segundo um comunicado conjunto emitido após um encontro entre os líderes francês e alemão.
"Apesar dos intensos esforços diplomáticos, a Rússia não demonstra intenção de interromper a sua guerra de agressão contra a Ucrânia", sublinharam Paris e Berlim, na nota conjunta, após o encontro entre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Toulon, no sul de França.
A alta-representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, considerou também hoje que o Presidente russo, Vladimir Putin, "está a gozar" com os esforços de paz, pedindo mais pressão político-económica sobre a Rússia.
Os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros dos países da União Europeia estão entre hoje e sábado reunidos em Copenhaga para uma reunião informal, o que significa que impede decisões concretas, sendo um encontro apenas de discussão política.
Os últimos desenvolvimentos da guerra na Ucrânia, nomeadamente a tentativa de mediação por parte dos Estados Unidos da América, e como reforçar o apoio à Ucrânia, são tópicos da discussão dos próximos dois dias.