O grupo Teixeira Duarte chegou a um acordo de refinanciamento com três bancos, o BCP, a CGD e o Novo Banco, que lhe permite trocar dívida antiga por nova com o alargamento do prazo de pagamento.

“O acordo consubstanciou-se na celebração de dois novos contratos de financiamento num montante global de 654,4 milhões de euros, bem como no estabelecimento de uma nova linha de garantias bancárias de montante máximo de 190 milhões de euros. Os termos dos novos financiamentos, designadamente as respetivas remunerações e maturidades, promovem a estabilidade financeira e o desenvolvimento sustentado das atividades do Grupo Teixeira Duarte”, explica a construtora em comunicado.

Parte da dívida será amortizada através da entrega de ações de cinco sociedades imobiliárias, adianta a Teixeira Duarte: “uma das tranches dos novos contratos de financiamento, no montante de 78,3 milhões de euros, será integralmente amortizada mediante a entrega de ações de cinco sociedades de investimento coletivo imobiliárias a serem constituídas através da transformação de cinco sociedades imobiliárias do Grupo Teixeira Duarte”. O que está previsto acontecer ainda este ano.

Desta forma, a dívida bruta do grupo aos bancos passará dos 654,4 milhões para 576,1 milhões de euros, “consolidando a trajetória constante de redução do passivo bancário”.

O grupo acrescenta que “passará a ser apresentado como passivo não corrente um montante de 541,1 milhões de euros, tendo sido estabelecido um novo plano de reembolso que prevê um alongamento da respetiva maturidade e uma otimização do seu custo de financiamento”.

Acrescenta também que “de acordo com as expectativas de evolução futura dos negócios do Grupo Teixeira Duarte, os termos e condições estabelecidos no acordo irão permitir o reembolso integral dos montantes de capital em dívida”. Desde 2010 o passivo bancário diminuiu cerca de 1400 milhões de euros.

A operação, que corresponde a 95% da dívida bancária líquida do grupo, foi feita através da EI01 – Empresa de Serviços Intragrupo, subsidiária dedicada à gestão de créditos que é integralmente detida pelo grupo e que concentrou a totalidade dos créditos àqueles três bancos. E foi comunicada no mesmo dia em que se ficou a saber que há um acionista a reforçar a participação no capital do grupo que é controlado pela família Teixeira Duarte em cerca de 64%. Trata-se da IDS Value Lda, do empresário Eduardo Sardo, que a 20 de março passou a deter uma posição qualificada superior a 5%, mais precisamente 5,55322% do capital. A empresa tinha ultrapassado os 2% em fevereiro de 2020 e desde então tem estado a comprar ações.