Já passou quase uma década desde o dia em que, aos 45 anos e acumulando já mais de 25 de trabalho nas empresas do grupo, Paula, a mais velha de três irmãs, era indicada para suceder ao pai, Américo Amorim, à frente da Galp. O pai, o homem mais rico de Portugal, cumpria a sucessão entregando-lhe negócios e uma fortuna avaliada em mais de 4 mil milhões de euros. E a escolha mostrou-se acertada: à Galp e à Corticeira, polos maiores do Grupo Américo Amorim, Paula adicionou as suas ideias e visão ao negócio, deu vida à Amorim Luxury (2005), que junta na Fashion Clinic marcas exclusivas como Balenciaga, Givenchy, Miu Miu, Prada, Christian Louboutin.., abriu a Gucci em Portugal, tornou-se acionista da Tom Ford International, reinventou a Comporta e deu vida a um conceito que o país nunca conhecera, materializado nos espaços JNCQuois.

Se Paula Amorim deixou o ensino para pôr as mãos na massa, foi na Academia que Miguel Poiares Maduro cresceu, foi a universidade que lhe abriu portas ao mundo. Académico de carreira — licenciou-se em Direito, doutorou-se com distinção no Instituto Universitário Europeu e, depois de ser advogado geral no Tribunal de Justiça das Comunidades, assumiu o lugar de professor de Direito e diretor do Global Governance Programme do Instituto Universitário Europeu de Florença — e tendo vivido fora de Portugal uma boa parte da sua vida, adquiriu por esse contágio da multiplicidade cultural a capacidade de ver o que ainda não existe e perceber se e como é possível criar algo novo. Mesmo que seja algo tão difícil de gerar como uma cultura conducente à mudança, a uma maior transparência, à responsabilização e integridade, seja no exercício de cargos públicos, no futebol (presidiu ao Comité de Governação e Revisão da FIFA), nas estruturas de informação e seu papel na construção de uma sociedade mais conhecedora e participativa (é membro do Steering Committee do European Media Information Fund).

Paula Amorim e Miguel Poiares Maduro são os convidados de mais uma sessão das Beyond Profit Talks. Com o maestro Martim Sousa Tavares a conduzir, esta conversa improvável irá da capacidade de antecipar tendências e criar novas narrativas na moda à forma como essa postura eternamente mutável e de permanente criação pode trazer aos negócios e até à geopolítica.

Em dez anos, Paula Amorim adicionou mais mil milhões ao seu grupo, graças à criatividade e talento que sempre demonstrou correrem-lhe nas veias, à capacidade de ver o que ainda não existia. Podia ter-se limitado a gerir os negócios de família? Podia, mas uma mulher que tem a capacidade de ver o potencial do que pode ser em vez do que já existe, dificilmente se acomoda ao estado das coisas, antes procurando sempre acrescentar obra àquilo que já está feito. E o facto de ter deixado a licenciatura em Gestão Imobiliária aos 19 anos, para começar logo a trabalhar, não fragilizou o seu percurso; antes lhe permitiu dedicar toda a verve a essa missão de materializar o que lhe ditava a criatividade que traz no ADN. E irá partilhar a sua experiência neste encontro em que divide o palco com o professor que há quase uma década aponta a aposta na criatividade e no talento como vias de futuro.

Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional no governo de Passos Coelho, Poiares Maduro juntou aos conhecimentos académicos a utilidade da prática, nomeadamente na criação de políticas públicas que tragam desenvolvimento social. Mas para que essas linhas condutoras tenham sucesso, é preciso estimular a criatividade, acarinhar o talento, sobretudo num momento em que se vive uma nova revolução industrial, com a rápida ascensão da IA generativa e as possibilidades infinitas do machine learning. "Daqui a 20 anos, mais de 50% do emprego atualmente existente terá desaparecido", dizia há quase uma década, em entrevista, apontando já então a necessidade de dirigir a economia para áreas diferentes —  "o que não quer dizer só startups e tecnológicas, mas introduzir inovação e tecnologia em áreas tradicionais — e "criar mecanismos de empowrement".

Mas como é que a criatividade e o talento se relacionam com os negócios, a economia e o desenvolvimento? O tema vai estar em cima da mesa, em mais uma conversa improvável nas Beyond Profit Talks, by Fundação Santander, em parceria com o SAPO, a que poderá assistir ao vivo nesta sexta-feira, às 13.00 na Rua da Mesquita (basta inscrever-se aqui) ou mais tarde aqui no SAPO. Com moderação garantida pelo maestro Martim Sousa Tavares, Paula Amorim e Miguel Poiares Maduro vão trocar impressões e experiências no Auditório Santander, em Lisboa, e todos são convidados a assistir.

Recorde as anteriores sessões Beyond Profit Talks, que já se debruçaram sobre temas como A Idade Leva ou Eleva o Talento, O Poder das Artes na SociedadeA  Educação Precisa de Inovação e O Amor Como Critério de Gestão.