
A Fundação Champalimaud está a testar um método inovador que poderá revolucionar a deteção precoce de alguns dos cancros mais agressivos. Trata-se de um exame respiratório que, em apenas cinco minutos, consegue identificar padrões químicos associados à presença da doença.
O procedimento é simples: o doente respira através de uma máscara semelhante às utilizadas para oxigénio. O ar exalado é analisado por inteligência artificial, capaz de distinguir diferenças entre pessoas com e sem cancro. Até ao momento, o sistema foi aplicado a cerca de 300 doentes com tumores do pulmão, ovário e pâncreas, e a mais 400 voluntários saudáveis.
Segundo os investigadores, este teste não substitui os exames de diagnóstico já existentes, como as tomografias, mas pode tornar-se uma ferramenta de triagem fundamental. O objetivo é que, no futuro, seja utilizado nos centros de saúde como complemento à avaliação clínica.
Em Portugal, o cancro do pulmão é responsável por mais de cinco mil mortes anuais, enquanto os tumores do ovário e do pâncreas provocam cerca de 500 e 2.000 óbitos, respetivamente.
A investigação prossegue agora com a comparação dos resultados obtidos pelo novo método com os exames convencionais, para validar a sua eficácia e segurança antes de uma possível aplicação generalizada.