
Uma das melhores citações de sempre sobre a educação e a sua importância pertence a
Diógenes de Sinope, afirmando que “o fundamento de todo o Estado é a educação da sua
juventude”.
Com esta imensidão de escala aclamada por um dos maiores filósofos da
antiguidade clássica, pergunta-se o porquê de existir uma imensa omissão de pensamento
pragmático sobre a educação.
Ao mesmo tempo, enquanto andamos estupefactos com o estado
da educação de toda a nação, deveremos nutrir da mesma estupefação quando olhamos para as
questões com uma ótica mais local, e principalmente, pela falta de iniciativa perante uma
questão tão essencial e com repercussões sociais, culturais e económicas tão densas numa
localidade de enorme potencial.
Na zona de Santiago existe uma limitação de oferta escolar que acaba por criar obstáculos no
quotidiano das famílias, e principalmente, dos jovens que tentam efetuar um percurso escolar
linear. Com várias dificuldades sentidas até ao terceiro ciclo do ensino básico, a migração de
famílias para zonas periféricas com maior oferta (conjugando com a fraca acessibilidade da
vila) acaba por ser uma realidade entristecedora para a comunidade, visto que a fuga de
gerações para outros locais acaba por congestionar todo o potencial dos jovens, mas também
da própria comunidade local.
Permitam-me expor uma hipótese: José (nome fictício), tem 16 anos e acaba de entrar no ensino
secundário, estando inspirado a estudar no curso de Ciências e Tecnologias, de forma a
ingressar numa futura licenciatura conectada à área, todavia, José tem um problema, ele vive
em Santiago, mais precisamente na Rua da República. O leitor poderá então questionar: qual
será o problema que abala José? É uma questão legítima e pertinente, todavia, basta ver a oferta
educacional no município, que é insuficiente, infelizmente.
José terá de ir para fora da sua área de residência, mais precisamente para uma de duas opções,
ou irá para a Escola Secundária de Sampaio, localizado em Faúlha, vivendo então a 6km da
sua escola, ou, por outro lado, terá de ir para a Escola Básica 2/3 e Secundária Michel
Giacometti, localizada na Quinta do Conde, estando a 20km da sua área de residência.
Argumentando simplesmente através da distância, alguns “pseudoidealistas” poderiam ser
cómodos e afirmar que uma escola secundária a 6km não será uma experiência totalmente má
ou onerosa para José, visto que existem outras localidades em Portugal que sofrem de
problemas de distância e acessibilidade mais graves, todavia, estes argumentos estão recheados
de um esquecimento factual importante: a Escola Secundária de Sampaio serve a população de
Santiago e Castelo, ou seja, só com jovens nas idades compreendidas entre os 14 e os 24 anos,
temos números que chegam aos 2447 jovens (fazendo referência aos últimos censos efetuados
em 2021).
Ou seja, apesar de alguns destes jovens não estar na faixa etária típica do alunomodelo de ensino secundário, em bom nome da verdade, estamos a falar de uma escola
secundária que está a albergar mais de 900/1000 alunos de duas freguesias, provocando uma
clara ineficiência perante as necessidades dos alunos e até mesmo dos próprios docentes.
Perante esta realidade, é necessário reforçar a ideia que nenhuma escola deveria ser visada com
um problema de densidade excessiva, principalmente quando existe uma falta de docentes, que
se demonstra cada vez mais crítica, e que principalmente, provoca uma maior carga horária e
psicológica nos docentes presentes nas escolas do concelho. Para formarmos os nossos jovens,
necessitamos, acima de tudo, de cuidar dos nossos docentes, porque são eles um dos principais
encarregados de transmitir muito dos conhecimentos necessários para uma boa formação
juvenil.
Esta pequena história hipotética (baseada em casos reais) acaba por representar uma limitação
estrutural num dos grandes polos da sociedade, tanto no desenvolvimento dos jovens do
município, mas também no desenvolvimento do próprio município, porque claramente
podemos afirmar uma simples e verdadeira afirmação: ao perdermos juventude, perdemos
desenvolvimento e possibilidades de fomento.
A criação de um plano para a construção de uma escola secundária mais próxima e acessível
para os jovens de Santiago, o planeamento de uma reestruturação institucional para as escolas
presentes no concelho, e num futuro promissor, criar o primeiro polo universitário em Sesimbra
com uma oferta satisfatória de cursos que satisfaçam necessidades educativas específicas, estão
na esteira de medidas que devem estar na base de uma ação política diligente e progressista, e
principalmente, de uma ação política preocupada com os seus jovens.