Uma pessoa morreu e cerca de 600 foram detidas durante protestos em Jacarta na quinta-feira, onde ocorreram confrontos com a polícia, informaram autoridades e organizadores.

O motorista do aplicação de serviços GoJek foi atropelado mortalmente por uma viatura policial na noite de quinta-feira durante protestos à frente do parlamento Indonésio, indicou uma associação de mototáxis em comunicado.

A manifestação, convocada por sindicatos e organizações estudantis, exigia melhores condições de trabalho e rejeitava o aumento salarial aprovado para os parlamentares indonésios, que agora vão ganhar cerca de 14 mil dólares por mês (cerca de 12 mil euros).

Achmad Ibrahim via AP

Atropelamento vai ser investigado

O chefe da polícia de Jacarta, Asep Edi Suheri, confirmou a detenção do agente da polícia envolvido no acidente fatal, que vai ser investigado pela unidade de Assuntos Internos, para perceber se foram cometidas infrações.

"Tomaremos medidas firmes contra qualquer membro que tenha cometido quaisquer violações ou infrações no incidente desta tarde", declarou o comandante da polícia à imprensa.

Num vídeo do incidente publicado nas redes sociais, é possível ver um veículo blindado da polícia em alta velocidade até colidir com o manifestante, que estava parado no meio da rua.

Após as manifestações de segunda e quinta-feira, um novo dia de protestos está previsto para esta sexta-feira na capital e noutras cidades indonésias. De acordo com a ONG Jakarta Legal Aid Institute, que presta assistência jurídica a ativistas indonésios, cerca de 600 manifestantes permanecem sob custódia policial.

Achmad Ibrahim/ AP

A indignação tem crescido desde que foi noticiado que o rendimento dos deputados vai aumentar 33% este ano, para uma média de 230 milhões de rupias mensais (12 mil euros), num país onde milhões de pessoas ganham 3% desse valor por um mês de trabalho, de acordo com estimativas do órgão de comunicação social Tempo.

Os sindicatos também exigem reformas nas leis laborais para acabar com a terceirização, isentar trabalhadores de baixa rendimento de impostos e garantir o pagamento de férias, entre outras reivindicações.