
Petra Freitas, psicóloga clínica, com especialização em sexologia e terapia de casal, abordou no DIÁRIO-Crianças, quais são os riscos de expor uma criança na internet e aos olhares “não saudáveis”, tendo alertado para o fenómeno da adultização infantil, motivado, na maioria das vezes, pela iniciação da pegada digital de forma precoce.
A adultização infantil, um tema que tem ganho muita força nos últimos dias no Brasil devido a um trabalho de investigação de um influenciador brasileiro, Felca, que trouxe ‘à tona’ a exploração de crianças nas redes sociais e mostrou como facilmente uma foto ou vídeo, partilhado de forma inocente pelos pais ou tutores, pode ser integrado numa rede de pedofilia, com o anúncio de troca e partilha de conteúdo de crianças a acontecer à vista de todos.
A psicóloga explicou que a adultização acontece quando existe uma exposição precoce de crianças a comportamentos e responsabilidades que deveriam ser, exclusivamente, reservadas a adultos e que pode se estender ao vestuário desadequado para a idade ou até ao cuidar dos irmãos mais velhos.
“Nas redes sociais vemos muitas crianças a ter comportamentos de adultos, seja em danças sexualizadas, nas roupas que usam, ao mostrarem rotinas quer seja de tratamentos de beleza, como cuidados para a pele ou um ‘get ready with me’, onde mostram o que vão vestir no dia em questão. Cada vez mais vemos este tipo de conteúdo desempenhado por crianças, que são expostos através dos seus pais ou tutores”, referiu a especialista em sexologia.
Petra Freitas frisou que cabe aos familiares proteger a criança deste tipo de conteúdo, porque muitas vezes passa uma falsa sensação a quem pode estar a assistir de que foi criada “uma ponte de proximidade que não é saudável e quando vamos ver a maior parte dos comentários são feitos por adultos e, sem querer definir ou limitar muito o género, mas a maior parte continua a ser do género masculino”.
“Isto faz-nos pensar, o que leva um adulto a comentar vídeos de crianças, com um “gosto muito”, “estás muito bonita”, “fica-te super bem”, “devias usar mais” ou “devias fazer mais vídeos destes”. Importa também perguntar o que leva um tutor a aceitar que isto aconteça”, referiu a profissional de saúde, adiantando que a partilha destes conteúdos não vem por necessidade de atenção da criança, mas sim do adulto que o publica.
Existe muito a ideia de que são partilhados vídeos sexuais de crianças quando estão a expor o seu corpo ou em posições mais sugestivas para esse tipo de conteúdo. Na realidade, um vídeo simples num baloiço, a comer um gelado ou a passear com a sua família, pode ser usado, de forma erótica ou sexualizada, por alguém que tenha um olhar não saudável sobre esta perspectiva. Petra Freitas
Saiba que alertas enumerou Petra Freitas, que consequências pode gerar a exposição precoce de uma criança e como deve proteger os mais novos na era das redes sociais, na entrevista presente no canal do DIÁRIO, no YouTube.