
O ministro da Economia, Pedro Reis, e o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, iniciam na próxima semana uma "ronda de reuniões" com 16 associações empresariais. O objetivo é "avaliar o impacto" que as tarifas anunciadas pela administração Trump podem ter nas empresas portuguesas e na economia nacional.
Estes encontros, que arrancam no próximo dia 9 e terminam a 11, "contarão com a presença de representantes da AICEP, IAPMEI, Compete, Direção Geral das Atividades Económicas (DGAE) e Banco Português de Fomento (BPF)" e vão decorrer em Lisboa e no Porto.
É intenção do Governo "abrir um canal de diálogo com os setores que serão mais afetados pelo modelo das 'tarifas recíprocas'" de Donald Trump, e ouvir "as associações representativas das empresas destas atividades económicas sobre a avaliação que fazem do impacto da imposição das novas taxas aduaneiras sobre produtos europeus".
Mas não só. O ministro Pedro Reis quer agir e em conjunto com as associações empresariais debater uma resposta "para o mitigar e minimizar esse impacto nas exportações nacionais".
A esta ronda seguir-se-ão "outras reuniões mais alargadas" para o Ministério da Economia partilhar o que "está a ser articulado com a União Europeia para responder às novas tarifas e as medidas de proteção que estão a ser desenhadas para os diferentes setores de atividade".
Eis a lista das associações que vão marcar presença nos encontros:
- AFIA - Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel;
- EPCOL - Empresas Portuguesas de Combustíveis;
- APIB - Associação Portuguesa dos Industriais da Borracha;
- ANIMEE - Associação Portuguesa de Empresas do Setor Eléctrico e Electrónico;
- AIP - Associação Industrial Portuguesa;
- CIP - Confederação Industrial de Portugal;
- AIMMAP - Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e afins de Portugal;
- AIMMP - Associação das Indústrias da Madeira e Mobiliário de Portugal;
- APCOR - Associação Portuguesa da Cortiça;
- APPICAPS - Associação Portuguesa dos Indústriais do Calçado, Componentes, Artigos de pele e seus Sucedâneos;
- APIC - Associação Portuguesa da Indústria de Curtumes;
- ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal;
- ANIVEC - Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção;
- ANITLAR - Associação Nacional das Indústrias de Têxtil Lar;
- ANIL - Associação Nacional dos Industriais de Laníficios; e,
- AEP - Associação empresarial de Portugal.
Tarifas são más notícias
Na noite desta quarta-feira, após o anúncio do Presidente norte-americano, o ministro Pedro Reis admitiu, em entrevista à CNN, que "toda a engrenagem do raciocínio dos Estados Unidos é preocupante" e que o aumento de tarifas cria inflação e trava o crescimento das economias.
Pedro Reis apelou à cautela na resposta da União Europeia mas afastou, desde já, uma negociação direta entre Portugal e os EUA, por entender que a resposta da Europa deve ser conjunta.
"Firmeza não é incompatível com inteligência. Devemos defender os nossos interesses, com pinças, caso a caso, setor a setor. E dar tempo para ir construindo alternativas no mercado."
Uma afirmação agora consolidada com o convite às associações empresariais dos setores da indústria automóvel, combustíveis, borracha, elétrico e eletrónico, metalurgia e metalomecânica, madeira e mobiliário, cortiça, calçado, curtumes, têxtil e vestuário, têxtil-lar e lanifícios.
[Notícia atualizada às 16:07]