
A TAP terminou o ano 2024 com um resultado líquido positivo de 53,7 milhões de euros, o seu terceiro ano consecutivo de lucro, mas o registo ficou 69,7% abaixo do ganho de 177,3 milhões de euros do ano anterior, revelou esta quarta-feira a companhia aérea em comunicado.
As contas de 2024 foram penalizadas por um quarto trimestre negativo, em que a empresa liderada por Luís Rodrigues contabilizou um prejuízo de 64,5 milhões de euros, mais do que duplicando as perdas de 26,2 milhões do período homólogo.
Para a queda do lucro anual contribuíram as provisões não recorrentes para custos laborais (devido a uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre os tripulantes de cabine) e perdas cambiais.
Globalmente as receitas da TAP em 2024 cresceram 0,7%, para 4,24 mil milhões de euros, mas os gastos operacionais também subiram 1,5%, para quase 3,93 mil milhões.
O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) acabou por recuar 3,1%, para 807,1 milhões de euros, com a margem EBITDA a deteriorar-se ligeiramente, de 19,8% para 19%. Numa base recorrente, todavia, o EBITDA da TAP cresceu 0,4%, para 875,3 milhões de euros, com a margem a recuar de 20,7% para 20,6%.
O presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, sublinhou no comunicado da companhia aérea que “os resultados de 2024 confirmam a trajetória de recuperação da TAP iniciada nos últimos anos”. “Pelo terceiro ano consecutivo, a TAP apresentou um resultado líquido positivo, suportado pelo aumento das receitas e pela estabilização dos resultados operacionais. Adicionalmente, o contínuo aumento da pontualidade e regularidade confirmam uma operação mais robusta e resiliente”, comentou o gestor.
Luís Rodrigues notou que os resultados “foram conseguidos num ano muito desafiante, marcado por um aumento significativo da concorrência” nos principais mercados da TAP e por “fortes desvalorizações cambiais”, bem como desafios operacionais, “nomeadamente no controlo de tráfego aéreo e eventos meteorológicos adversos, e constrangimentos estruturais, como o limite de aeronaves”.
Objetivo é ter “uma companhia sustentadamente rentável”
O presidente executivo da TAP considera que 2025 “será igualmente um ano desafiante”, sendo o último ano do plano de reestruturação da empresa. O objetivo é transformar a TAP numa “companhia sustentadamente rentável e numa das mais atrativas da indústria”.
A empresa indica que este ano a TAP irá abrir três novas rotas para América do Norte, com voos de Lisboa para Los Angeles e São Francisco via Terceira, e do Porto para Boston.
Além disso a companhia aérea deverá receber um avião A320 Neo e dois A321 Neo, no âmbito da modernização da sua frota.
“As reservas encontram-se em linha com o ano anterior, apesar do aumento da capacidade. No entanto, espera-se que a concorrência nos principais mercados se intensifique”, nota a TAP, admitindo que 2025 será marcado por uma pressão nas margens operacionais, por efeito de um “aumento dos custos” e da “incerteza macroeconómica”, que “poderá afetar tantos os custos como as receitas”.