
Não há nada como o nosso primeiro amor, aquele que nos faz sonhar, onde tudo sai bem, onde cada jogada parece poesia, escrita pelos pés de verdadeiros poetas tão apaixonados como nós.
Mais do que divertir-se em campo, há jogadores que elevam tão alto o nome do seu clube que, ao mesmo tempo, elevam também o seu próprio nome ao Olimpo do desporto rei. Quando era mais novo, uma das primeiras equipas pela qual me apaixonei ao vê-la jogar foi o Valência.
Lembro-me como se fosse hoje, andei imenso tempo atrás da minha mãe a pedir uma Playstation 2 na altura, apenas para jogar um jogo chamado FIFA 2005, que vinha recheado de horas e horas de pura diversão. Neste jogo havia uma equipa que me suscitava curiosidade, porque era no jogo tal e qual como era na realidade, um projeto apetecível, com intérpretes que pareciam simplificar qualquer grande problema que surgisse na sua equipa.
Na baliza havia Santiago Canizares, um autêntico muro loiro oxigenado que metia respeito aos seus adversários e imprimia disciplina aos seus colegas, mas daí para a frente, a qualidade não se alterava e era enorme em todas as posições. Havia Baraja, Vicente, Albelda, David Villa, Kluivert, Angulo, Di Vaio e claro, o nosso Pablito Aimar, que dentro daquele maravilhoso equipamento Nike, com o patrocínio Toyota a cobrir mais de metade da camisola, encantavam quem os assistia.
O Valência assumia-se também como um dos pilares da “La Roja”, porque todos estes artistas estavam presentes nas convocatórias da sua seleção, e o nome da cidade era cada vez mais um dos palcos mais temidos do futebol espanhol e mundial.
Mas de lá para cá, tudo mudou… e para pior, infelizmente. Com a entrada de Peter Lim em cena, e com contratações sonantes do início do seu reinado, parecia que o eterno Valência ia reerguer-se e voltar a aproximar-se dos rivais de Madrid e do Barcelona na disputa pela La Liga.
No entanto, assim não aconteceu, e o clube entrou numa espiral negativa, tanto que recentemente esteve sempre alojado nos lugares de descida do principal escalão do futebol espanhol, mas felizmente tem recuperado pontos importantes para se manter onde merece estar. Na minha opinião, faz falta ao futebol ter um Valência com boa saúde financeira e com sucesso desportivo notório, como era anteriormente.
Recentemente, até Cristiano Ronaldo esteve envolvido com o clube “Che” porque, segundo a imprensa espanhola e mundial, o nosso capitão pode estar de facto interessado em ser proprietário do histórico clube espanhol. Com Cristiano ou não, parece-me que o reinado de Peter Lim na equipa espanhola deve ter um fim. Isto porque a relação está mais que desgastada, e porque já nem sequer existe injeção de capital suficiente para a equipa poder apetrechar-se da melhor maneira possível para fazer justiça ao seu nome.
Mas a equipa recupera lentamente, leva neste momento uma série de quatro jogos sem perder, o que faz os “che” estarem a recuperar posições na tabela classificativa a uma grande velocidade.
Enquanto adepto de futebol, os números não me interessam, o lucro não me interessa, o proprietário não me interessa. Só me interessa que o meu Valência volte a ser grande, só me interessa ver de novo o histórico Mestalla cheio de simpatizantes blancos, só me resta voltar a sorrir.
O primeiro amor nunca se esquece, e este que sempre vestiu de branco, é um amor para a vida toda, um amor chamado Valência.