Investimento em infraestruturas, centralização dos direitos e carga fiscal com taxa especial para o futebol foram alguns dos temas abordados pelo presidente da EY, empresa responsável pelos anuários do futebol profissional, em parceria com a Liga. Miguel Farinha entende que o investimento nos estádios terá como consequência uma maior afluência de público-

«O investimento em infraestruturas é essencial e os clubes percebem isso. Mesmo tendo dificuldades financeiras, vão fazendo melhorias nos seus estádios. Isso pode ser feito de várias formas. Uma que faz todo sentido é olhar para as receitas das apostas desportivas, cuja maior parte não vai para os clubes, e fazer uma repartição diferenciada, que permita usá-las para aumentar e melhorar as infraestruturas», disse Miguel Farinha, em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do anuário do futebol profissional em Portugal.

Com Benfica, FC Porto e Sporting a conjugarem 62 por cento das assistências, Miguel Farinha defendeu a necessidade de os outros clubes atraírem adeptos das regiões onde estão.

«Depois, é preciso saber fazer e acho que os clubes têm estado a fazer esse trabalho de atrair os adeptos para o clube da sua terra. Em vez de invariavelmente sermos todos adeptos de três clubes em Portugal, apoiarmos cada vez mais os clubes locais», apontou.

A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos, cujo decreto-lei foi aprovado em 2021, permitirá ao futebol nacional estar em pé de igualdade com outros campeonatos europeus, argumentou o responsável da EY em Portugal.

«Não é centralizar por centralizar, mas porque irá seguramente melhorar o futebol e trará mais receitas, sobretudo para os clubes mais pequenos. Em nenhum outro campeonato europeu se vê as receitas televisivas concentradas em três clubes, pois estão muito mais repartidas. Se conseguirmos ter melhores clubes de forma global, e não só nos primeiros três ou quatro classificados, seguramente haverá melhor futebol», vincou.

Miguel Farinha entende que a centralização dos direitos audiovisuais e o aumento da competitividade conduzirão a um crescimento que irá ter reflexo no desempenho dos clubes nas competições internacionais.

«É preciso que todos percebam que só têm a ganhar se trabalharem juntos para aumentar este produto e a forma como o futebol é vendido. Mesmo assim, reparem que estarão três potentados económicos europeus [Alemanha, Espanha e França] e Portugal na ‘final four’ da Liga das Nações. Nós conseguimos jogar de igual para igual nesta indústria», avaliou.

À semelhança de Pedro Proença, ex-presidente da Liga, o presidente da EY defendeu uma «taxa particular para a indústria do futebol» no que respeita à carga fiscal - o setor pagou 268 milhões de euros em impostos em 2023/24.

«Tem muito a ver com o IRS, que é uma carga pesadíssima. O ideal seria haver uma taxa particular para a indústria do futebol. Por exemplo, temos de gastar o dobro em Portugal face ao que se paga em bruto pelo mesmo atleta em Itália para que este receba o mesmo valor líquido. Isso traz imediatamente uma desvantagem competitiva gigante. Dentro da Europa, há diferenças significativas e é preciso entendê-las e tentar corrigi-las», advertiu.