Um lateral-esquerdo a fazer de lateral-direito, um médio-defensivo emergente e um ataque novinho em folha. Bruno Lage, treinador do Benfica, poupou, ou experimentou, claramente a pensar no clássico de domingo com o FC Porto.

O técnico tinha dito que o foco era total, que só o Farense interessava, mas a equipa escolhida não dizia exatamente a mesma coisa. Florentino Luís, em risco de suspensão por causa dos cartões amarelos, ficou de fora, Bruma foi para o banco, ele que tem sido um dos melhores do Benfica em 2025.

O inovar, porém, rapidamente deu frutos e o Benfica depressa foi à procura do golo, com o primeiro lance de perigo a nascer de cruzamento da direito do lateral-esquerdo Samuel Dahl. O domínio era tal que o golo parecia apenas uma questão de tempo. E assim foi. Ao minuto 7, contra-ataque bem desenvolvido e Akturkoglu, em linha com a linha da bola, a empurrar com facilidade para o fundo da baliza algarvia.

O Benfica não levantou o pé e manteve o pedal a fundo, mantendo os algarvios à distância, mantendo a pressão e quase marcando novamente através de Pavlidis, que apareceu em posição de marcar, mas não conseguiu. Evitou Velho, mas a bola saiu pela linha de fundo. Era o minuto 18 e o jogo parecia um passeio no parque para os encarnados.

Dava praticamente para tudo, tão fácil estava, tão macia era a oposição do Farense e do seu setor defensivo. Um pontapé de canto dos algarvios rapidamente se transformou no 2-0: Trubin agarra a bola e com o pé direito lança Akturkoglu, este foge ao marcador e cruza para a área, Pavlidis domina, vira-se e atira para golo, com Artur Jorge a assistir da primeira fila.

O Benfica, porém, adormecia a pensar no FC Porto e Menino acordava, obrigando Trubin a trabalhar duas vezes. O Farense crescia, a águia dormitava e de um canto favorável aos algarvios nasceu não o 3-0, mas o 2-1. Cabeçada de Tomás Ribeiro a um metro da linha de golo.

O Benfica não era a equipa focada no Farense que Bruno Lage prometera ser quando saiu para o intervalo. Voltaria, pois, mais sério e concentrado e com Leandro Barreiro no lugar de Renato Sanches. Depressa o Benfica ameaçou e depressa o Benfica marcou, com bela jogada que culminou com passe de Pavlidis para Akturkoglu. O grego, em plena área, sem marcação.

Estava, ou assim parecia, tudo fácil outra vez. E outra vez o Benfica iria cometer o mesmo erro, subestimando o Farense, acreditando que o jogo estaria ganho. Os algarvios, teimosos, lutando pela vida, aceitaram o convite de uma equipa demasiado descontraída e reduziram mais uma vez, com belo cruzamento de Poloni para Rony Lopes.

Akturkoglu e Di María criaram perigo, confirmando regresso do Benfica ao jogo, mas o 3-2 dava para desconfiar e permitia ao Farense sonhar. As águias, zangadas, pediram penálti aos 72' — António Silva pareceu mesmo derrubado por Pastor — e lançaram Belotti e Schjelderup para refrescar, mas o perigo estava do outro lado: cabeçada de Tomané e Trubin salvava o dia.

Aurnes já pisava terrenos de um lateral-direito, Dahl estava na esquerda, mais adiantado. Pode muito bem ser um daqueles casos em que um lateral joga melhor como médio. O jogo estava de tal forma fora de controlo que o Benfica e o Farense poderiam marcar ou sofrer. Trubin viu amarelo por demora a repor a bola em jogo aos 90+2'. E isso diz quase tudo.