
Uma ferramenta gratuita que traduz os significados ocultos dos emojis que os jovens trocam entre si, em mensagens nas redes sociais, foi desenvolvida por um especialista português em segurança informática e está a ser partilhada a nível global.
O tradutor, pensado para ser utilizado por pais de crianças e adolescentes, foi criado por David Sopas, investigador em segurança informática residente na Figueira da Foz, no Centro de Portugal, inspirado, em parte, para o tema, pela série "Adolescence", êxito da plataforma de 'streaming' Netflix, mas também por conversas com amigos que têm filhos adolescentes.
"Foi, em parte, a série da Netflix, que achei fantástica e que deu uma nova visão da utilização dos 'emojis', que eu não fazia a mínima ideia", disse à agência Lusa David Sopas.
A preocupação com a sua própria filha, que "ainda não é adolescente, tem seis anos, mas para lá caminha", e as conversas com amigos que têm filhos mais velhos, e que comentaram "alguns problemas que têm de 'sexting' [troca de mensagens eróticas via telemóvel ou em 'chats' nas redes sociais] ou de 'cyberbullying' [comportamentos agressivos via internet]", levaram o especialista em segurança informática a agir.
A simples ferramenta, disponível gratuitamente, foi elaborada depois de ter pesquisado os conteúdos em causa, nomeadamente os 'emojis' que os jovens costumam usar e que os adultos "não fazem a mínima ideia para que servem".
"Uma maçã, para mim, é uma maçã", notou David Sopas - mas pode ser uma forma de demonstrar afeto --, bem como o duplo significado de alguns termos e a combinação de vários 'emojis' para construir frases.
Esta utilização por parte dos mais jovens, serve, também, "para dar a volta a algumas situações, que eu presumo serem de 'software' de monitorização que barrava alguns temas de conversa" nas aplicações utilizadas e que foi aproveitado por alguém para criar uma linguagem baseada em símbolos de utilização geral na internet, observou.
Na quarta-feira, David Sopas começou a partilhar a ferramenta informática -- disponível em inglês para ter uma maior abrangência e caráter global - e surpreendeu-se com o impacto que teve e a partilha massiva pelas suas redes, nomeadamente a nível internacional.
O especialista já teve alguns pedidos para traduzir a ferramenta para português, desde logo do projeto MiúdosSegurosNa.Net, de Tito de Morais, tendo, por falta de tempo, replicado que o tradutor é de código aberto (open source), está alojado no GitHub -- plataforma colaborativa que reúne código-fonte utilizado na produção de 'software' -- e possui uma licença que permite que qualquer pessoa o altere.
"A única coisa que peço é que me deem os créditos [da autoria] . Podem traduzi-lo, podem melhorar o formato da página que querem, podem replicá-lo nas suas aplicações e podem rentabilizar aquilo como quiserem. Está gratuito, quem quiser vai ao GitHub, está lá o código-fonte", vincou David Sopas.
Devido à sua profissão de investigador de segurança informática, David Sopas tem, nas suas redes sociais, mais seguidores estrangeiros do que portugueses, uma constante, aliás, na Char49, a pequena empresa do setor "muito apontada para o mercado internacional", que fundou, com dois sócios, na Figueira da Foz, e cujos clientes são, maioritariamente, de países como os EUA, Israel ou China.
"Fazemos testes de intrusão, testes de investigação de equipamentos com falhas de segurança, formação e toda a área relacionada com segurança em geral", explicou David Sopas.
A localização física da Char49 neste município litoral do distrito de Coimbra é, no entanto, desconhecida entre especialistas de segurança mundiais e candidatos a novos empregos, que não fazem ideia onde se localiza a Figueira da Foz, como os sócios da empresa descobriram, em 2024, em Las Vegas, nos EUA, durante a Def Con, o maior evento internacional do setor.
"Sabem onde fica Lisboa, conhecem mal o Porto, mas quando dizemos que é na Figueira da Foz ficam admirados, não sabem onde é", revelou David Sopas.