
O Presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a "decisão brutal e infundada" de Donald Trump ao impor tarifas aos produtos europeus e apelou para a suspensão de investimentos nos Estados Unidos.
"O que é importante é (...) que os investimentos que estão para vir ou que foram anunciados nas últimas semanas sejam suspensos até que tenhamos esclarecido as questões com os Estados Unidos", disse o Presidente, numa reunião, no Palácio do Eliseu.
As medidas anunciadas por Donald Trump são "extremamente graves para a economia europeia", considerou Macron, acrescentando que representam um "choque para o comércio internacional" e "não corrigem os desequilíbrios" comerciais que possa haver em matéria de tarifas.
"Qual seria a mensagem de ter grandes atores europeus a investir milhares de milhões de euros na economia americana numa altura em que estão a minar-nos?", questionou.
A resposta da Europa
O Presidente francês apelou aos europeus para que "permaneçam unidos", advertindo contra qualquer tentação de "jogar isolado". Lembrou que a União Europeia representa "um mercado de 450 milhões de consumidores, mais do que nos Estados Unidos".
"Vamos preparar uma resposta europeia. Nada está excluído, tudo está em cima da mesa", avisou Macron.
O Presidente francês falou ainda de uma resposta europeia em "duas fases".
- A primeira resposta teria lugar em meados de abril e incidirá sobre as taxas já decididas, nomeadamente sobre o aço e o alumínio;
- A segunda resposta, relativa às taxas anunciadas na quarta-feira, teria lugar no final do mês, após um estudo detalhado, setor por setor, e um trabalho com todos os Estados-membros e setores económicos.
Macron não se esqueceu do impacto da medida nos próprios EUA.
"Uma coisa é certa, com as decisões desta noite de quarta-feira, a economia americana e os americanos, sejam empresas ou cidadãos, sairão mais fracos do que ontem, e mais pobres", declarou.
Entre as possíveis represálias para a Europa estaria a tributação dos "serviços de Internet", incluindo empresas populares como a Amazon, Google e Netflix. "Faremos o que for mais eficaz e proporcionado. Não estamos dispostos a ser ultrapassados. Vamos defender-nos e proteger-nos", acrescentou.