
O Comité das Regiões Europeu apelou hoje à Comissão Europeia para adotar "medidas sólidas" que protejam as economias locais e os produtores face à nova política de tarifas dos Estados Unidos da América sobre produtos da União Europeia (UE).
Durante a reunião plenária em Bruxelas, os representantes locais e regionais europeus indicaram que os novos direitos aduaneiros de 20% sobre todos os produtos, incluindo as exportações agroalimentares, anunciados na quarta-feira pelos Estados Unidos da América (EUA), "poderão perturbar significativamente as cadeias de abastecimento da UE, aumentar os preços e prejudicar os produtores europeus".
"No setor agroalimentar, diversas regiões europeias poderão enfrentar riscos económicos e sociais significativos devido à imposição de direitos aduaneiros por parte dos EUA, que ameaçam exportações de produtos-chave como o queijo, o azeite e o vinho", afirmou o Comité das Regiões Europeu, em comunicado.
A este propósito, o Comité reforçou que a UE e os EUA partilham "a maior parceria comercial e de investimento do mundo, com o comércio transatlântico a atingir 1,6 biliões de euros em 2023, incluindo um forte intercâmbio agroalimentar".
Num debate liderado pelo diretor-geral para os Fundos e Relações com a UE do Governo da Rioja, o espanhol Jesús Ángel Garrido, e pelo vice-presidente da região da Normandia, o francês François-Xavier Priollaud, os membros do Comité das Regiões Europeu pediram à Comissão Europeia para "dar uma resposta sólida, unificada e proporcionada para proteger as economias locais e a soberania alimentar da UE".
Manifestando preocupações quanto ao impacto das novas tarifas dos EUA, o Comité exigiu ainda medidas que promovam o crescimento, a competitividade e a resiliência no setor agroalimentar.
Nesta reunião, os representantes locais e regionais adotaram também um parecer elaborado pelo presidente do Governo de Valência, o espanhol Carlos Mazón Guixot, que defende "uma política comercial europeia ambiciosa, sólida, aberta e sustentável que abra os mercados de países terceiros às empresas da UE, evitando simultaneamente a concorrência desleal dos produtos importados".
O Comité instou a Comissão Europeia a estabelecer "cláusulas-espelho" nos atuais e futuros acordos comerciais da UE, para alinhar as normas de importação com a regulamentação ambiental, fitossanitária e de segurança da UE, assegurando condições de concorrência equitativas para os produtores europeus.
Além disso, as regiões e os municípios realçaram o "enorme impacto" das alterações climáticas nas regiões da UE, com repercussões nas economias regionais e na produção agrícola, em especial devido a situações extremas de stress hídrico, pelo que é considerada fundamental a aplicação de práticas mais sustentáveis de gestão dos recursos hídricos a nível local e regional.