
A chuva e o vento intensos dos últimos dias e as descargas das barragens provocaram estragos em campos agrícolas. Em Muge, Salvaterra de Magos, a humidade excessiva levou ao apodrecimento das batatas. A colheita deveria acontecer entre maio e junho, mas agora está comprometida.
Gonçalo Escudeiro, responsável pela Torriba - Organização De Produtores De Hortofruticolas, S.A., diz que os produtores estão preocupados "porque todas estas culturas que normalmente se desenvolvem no período de inverno, adaptadas a um processo normal de chuvas e de temperaturas mais baixas, tem vindo a ficar comprometido".
Em declarações à SIC, diz que os "prejuízos somam-se às batatas, às cenouras, às ervilhas e aos brócolos".
"No fundo, a todas estas culturas que realmente se fazem neste período", conclui.
Gonçalo Escudeiro estima que os prejuízos rondem um valor acima dos 3,5 milhões de euros.
"Como é que vamos entregar fruta estragada?"
No Ameal, em Torres Vedras, várias estufas de produção de morangos foram afetadas pelas chuvas e os ventos fortes dos últimos dias. Alguns painéis solares também ficaram destruídos após a passagem da depressão Martinho.
Ana Correia, produtora de morangos, adiantou à SIC que ainda não conseguiu fazer o levantamento dos prejuízos. "Ontem estivemos a colher morango e 80% foi para o lixo" por não estar em condições.
"A nossa prioridade é tirar o plástico de cima das plantas para não as danificar mais do que aquilo que já estavam e por isso ainda não parámos para fazer contas a sério".
Em declarações à SIC, revelou que toda a produção ficou comprometida. E avisa que, se continuar a chover e a fazer muito frio, os morangos "não vão aguentar".
"Temos pessoas a procurar o produto, mas não temos fruta para entregar. Como é que vamos entregar fruta estragada?" lamenta.