
O Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, vai acolher entre 30 de agosto e 14 de setembro de 2025 a exposição de pintura «Vila Leolinda». A mostra reúne obras de Leolinda Trindade, artista calipolense.
A abertura da exposição aconteceu este sábado e foi assinalada com um concerto que marcou o início da iniciativa cultural, tendo atuado Paulo Trindade, José Rosa, Adelino Silva, Felícia Hortinhas, João Bravinho, Joaquim Caeiro e outros artistas convidados.
Reconhecimento em vida
Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, sublinhou a importância de valorizar artistas enquanto ainda estão presentes. «Normalmente diz-se que só ligamos às pessoas quando já não estão entre nós. Nós queremos reconhecer as pessoas enquanto estão entre nós», afirmou.
Segundo o autarca, esta mostra é também uma forma de reconhecimento pelo contributo de Leolinda Trindade para a comunidade calipolense. «Ao longo de várias gerações, ela foi de forma abnegada e gratuita uma grande apoiante das instituições calipolenses. Promoveu espetáculos, exposições e ajudou muitas instituições desta terra. É uma forma de lhe agradecermos todo este empenho e toda esta dádiva», destacou.
A visão da artista
Por seu lado, Leolinda Trindade partilhou o sentimento de realização com a homenagem. «Sinto-me feliz por ver que reconhecem o meu trabalho e que apreciam o meu trabalho. Foi o melhor que pude fazer na minha vida: dar aulas, dedicar-me à pintura, à música e à poesia», afirmou.
Sobre a exposição, explicou que o tema recai sobre Vila Viçosa, figuras ilustres e recantos menos conhecidos da vila. «Achei que a nossa terra merece. Muitas vezes as pessoas não se apercebem que Vila Viçosa tem recantos e sítios muito bonitos que não descobrem», referiu.
Um percurso multifacetado
Nascida em Vila Viçosa em 1934, Leolinda Trindade destacou-se na música, na pintura e na poesia. Foi organista da Capela do Paço Ducal e professora, tendo igualmente publicado poesia e exposto em várias localidades do Alentejo e em Lisboa.
Além da mostra «Vila Leolinda», a artista mantém no seu atelier dezenas de obras inéditas. «Tenho quadros para duas exposições com outros temas diferentes. Também retratos, naturezas-mortas e paisagens. Gostava de expor de vez em quando para que as pessoas vejam aquilo a que me dedico», disse.