Um sábado à tarde num qualquer café. Podia ter sido aí que Ricardo Pereira, Daniela Ruah e Daniel Oliveira se juntaram para falar sobre como é ter uma carreira internacional. A conversa acabou por ser numa das “talks” do Tribeca Festival Lisboa, que aconteceu este sábado, com uma sala cheia a ouvir atentamente o que tinham para contar.

Falaram sobre princípios e medos. Sobre sair da zona de conforto e embarcar numa viagem para uma indústria diferente daquela que conheciam. Ricardo Pereira partiu para o Brasil em 2003 para fazer uma novela. Na conversa, confessou que o mais assustador foi a dimensão.

“Na altura a Globo era a terceira maior televisão do mundo”, contou.

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Também Daniela Ruah atravessou o Atlântico, mas alguns anos mais tarde. Foi para os Estados Unidos lutar por uma carreira. Como conseguiu alcançá-la, foi a pergunta lançada por Daniel Oliveira. “Não há uma receita secreta, tem a ver com timming”, respondeu.

“A preparação, juntamente com encontrar uma oportunidade, acaba por criar a sorte. Na minha altura para fazer tinhas de ir, tinhas de te enfiar num avião e conhecer o mercado lá (...) Eu estava preparada, tinha vontade e pus-me a jeito, mas não acho que haja uma receita secreta”, disse.

Uma fórmula em que Ricardo Pereira também acredita. “Há vários fatores que levam a que aconteça. Trabalho, trabalho, trabalho, foco total e muita dedicação ao que estás a fazer (...) É ter sorte e apanhar as oportunidades no momento certo, mas ao mesmo tempo fazer acontecer. (...) As coisas não acontecem por acaso. Se te dedicares e trabalhares os resultados aparecem”.

“Não entrem nesta profissão se procuraram só ser mediáticos. Não pode ser aquilo que vos guia (...) Nós [atores] amamos aquilo que fazemos, entregamos-nos às nossas personagens, tem uma mediatização, mas não é esse o ponto”, concluiu.

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Portugal visto de Hollywood: “a diferença está no investimento, agora em relação às pessoas não há diferença nenhuma”.

Aos olhos de Daniela Ruah, o nosso ‘pequeno país à beira mar plantado’ tem estado a evoluir “com uma força enorme”. Para a atriz, as plataformas de streaming ajudaram neste processo, mas a exigência do público tem sido um ponto fulcral.

“Antes havia filmes e séries. Hoje as coisas estão mais cinematográficas. (...) Acho que os Estados Unidos estão mais à frente, o desenvolvimento da indústria é mais antigo, mas Portugal está a apanhar depressa aquilo que se está a fazer lá fora (...). A diferença está no desenvolvimento, agora em relação às pessoas não há diferença nenhuma ”.

Ricardo Pereira segue a mesma linha de pensamento dizendo mesmo que “é uma questão de investimento e não de pessoas (...). Todos os bons exemplos que vemos na indústria lá fora são ideias para nós fazermos”.

Da representação à realização foi só um passo

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Daniela Ruah contou que começou a apaixonar-se pela realização porque precisava de alimentar a criatividade. Fazia a mesma personagem há muito tempo e, por isso, necessitava de um escape para conseguir continuar a explorar o seu lado mais criativo. Passou, então, a observar tudo o que se passava à sua volta e a aprender com os colegas.

"[Estar num set de filmagens] é uma espécie de escola de cinema gratuita. Sentares-te com alguém que sabe mais do que tu. Aprenderes com quem está à tua volta. O trabalho do ator é uma parte infinitamente pequena de uma produção”.

O que dizias ao teu eu mais novo?

Daniela Ruah ironizou: “isto não é o Alta Definição” ao ser questionada sobre o que diria ao seu eu mais novo, àquela jovem sonhadora que partiu atrás de um sono.

“Continua a fazer o que estás a fazer e aprecia cada momento. Calma, faz as coisas ao teu ritmo, mas saboreia mais”, disse.

Um conselho de paz e de calma que encaixou que nem uma luva na resposta de Ricardo Pereira.

“Calma, tudo vai chegar… tudo vai acontecer”, respondeu o ator a Daniel Oliveira.