Neil Young não sabe se vai poder voltar a entrar nos Estados Unidos por ser crítico de Donald Trump. O músico, que tem dupla cidadania canadiana e norte-americana, vai dar concertos na Europa no final de junho e início de julho, regressando depois aos Estados Unidos para uma extensa digressão.

“Quando for tocar à Europa, se falar sobre Donald J. Trump, poderei ser um daqueles que são barrados ao regressar à América, ou daqueles que são colocados numa prisão para dormir num chão de cimento com um cobertor de alumínio”, escreveu Young no seu blogue, esta terça-feira, “isso está a acontecer a toda a hora agora. Se voltar da Europa e for barrado, não poderei fazer a minha digressão pelos Estados Unidos e todos aqueles que compraram bilhetes não poderão ir a um concerto meu”.

O músico, nascido no Canadá, acrescenta que poderá não ficar ‘a salvo’ desse impedimento pelo facto de também ter cidadania norte-americana: “Se disserem algo de mau sobre Trump ou a sua administração, podem ser impedidos de entrar. Se tiverem dupla cidadania como eu, quem sabe? Vamos descobrir juntos”.

“Se o facto de pensar que Donald Trump é o pior presidente da história do nosso grande país me impedir de regressar, o que é que isso diz sobre a liberdade? Lembram-se da liberdade de expressão?”, continua Young, “tendo em conta estas últimas atitudes do nosso governo dos Estados Unidos, parece que aqueles que falam livremente e expressam as suas opiniões são agora vulneráveis a uma lei Trump não existente. E também me parece que o facto de terem votado na Kamala Harris e não em Trump faz com que possam ir para a prisão ou ser detidos… castigados por não mostrarem lealdade a quê?”.

Recorde-se que Neil Young tem criticado severamente Donald Trump nos últimos anos, tendo inclusivamente apresentado uma queixa em tribunal, em 2020, depois de o presidente dos Estados Unidos ter utilizado a sua canção ‘Rockin’ in a Free World’ em ações de campanha.