O momento do Marítimo volta a ser conturbado. Há um grupo de associados que recolheu mais de 50 assinaturas para pedir uma Assembleia Geral para destituir a atual direção liderada por Carlos André Gomes. O atual líder verde-rubro dirigiu-se hoje às instalações d a Associação de Futebol da Madeira, onde votou para a eleição do novo presidente, Rui Coelho, que vai substituir Rui Marote. À chegada, o presidente maritimista foi claro sobre os rumores da sua saída. "Bom, nós temos que perceber o momento que o Marítimo vive. Vive num momento crítico. Tem um momento marcado por uma parte desportiva que está muito aquém das expectativas e aí a responsabilidade é totalmente minha porque o Presidente, como líder máximo, é sempre ele que toma as decisões e valida as decisões e as escolhas das pessoas. Por isso, nesse sentido, essa responsabilidade do momento desportivo é inteiramente do Presidente e não é de mais ninguém.

Depois, temos aqui uma situação que tem a ver com o facto do Marítimo estar há dois anos seguidos na Segunda Liga e que, durante esses dois anos, aquilo que é a perda de receita é muito grande e faz com que seja verdadeiramente insuficiente para cobrir aquilo que são as despesas do dia-a -dia do clube", começou por afirmar. E prosseguiu analisando o atual momento desportivo: "Neste momento e na situação em que o Marítimo está, claramente não vamos subir de divisão e, portanto, o objetivo tem que ser garantir a manutenção, nós temos que começar a preparar a próxima época. E preparar a próxima época para que o Marítimo seja competitivo. Ao contrário daquilo que eu queria e que achava há dois anos, neste momento, entendo que o caminho passa por ter um investidor e, nesse sentido, nós estamos em conversações para garantir que essa solução de financiamento existirá para tornar o Marítimo competitivo.". Assim, no entender do líder maritimista, "numa situação de entrada de um requerimento como este, em que se pede a substituição de uma direção, soam logo os alarmes às pessoas com quem estamos a conversar e, obviamente, atrasa todo o processo.

Ora, atrasando todo o processo, retiram-nos a nós a solução de financiamento futuro do marítimo. E, retirando essa solução de financiamento futuro, se esse requerimento entrar, não nos resta outra solução que não seja nós pedirmos admissão e abrir o caminho para estas pessoas que apresentaram este requerimento, trazerem a solução de financiamento futuro para o Marítimo".

Carlos André Gomes confirmou que irá apresentar a demissão se amanhã houver a entrada do requerimento do grupo de sócios (já recolheram mais do que as 50 assinaturas necessárias). "Se amanhã o requerimento entrar, o Carlos André abre a porta à solução que é o Presidente da Assembleia marcar ele a 11 e estes senhores trazerem as soluções para o Marítimo", disse. Mas deixou o aviso: "Se não trouxerem essas soluções, o ônus e a responsabilidade de criar o caos dentro do Marítimo passa a ser destes senhores".

Depois, o líder maritimista, confirmou que "houve uma reunião com os subscritores, com os principais subscritores, ao momento comum, dessa lista e foi-lhe explicada a situação, aquilo que estava a fazer. Uma coisa é, se trazem uma solução, ótimo, porque esta direção não está presa a nada. Portanto, se houver uma solução que seja o melhor e que define o futuro do Marítimo de forma sustentável, nós somos os primeiros a abrir o caminho para virem essas pessoas e entrarem lá, porque nós não estamos agarrados a nada.

Agora, fazer uma Assembleia de instituição sem apresentar uma solução é que é perigoso, pode tornar caótico o estado em que o marítimo se encontra".

Questionado se sem a entrada de um investidor, o clube é insustentável, o presidente foi claro: "Nós tivemos, quando entramos, um pensamento que era a subida de divisão, que resolveria parte do problema financeiro, e o projeto comercial que, neste momento, aguarda pela licença de utilização da Câmara.

Sei que há vontade do Presidente da Câmara em nos ajudar a garantir a licença de utilização, mas a verdade é que, até agora, ainda não foi possível a Câmara emitir, mesmo depois do marítimo já ter entregue tudo o que era a documentação que foi solicitada.

Portanto, sem estes dois instrumentos financeiros, não há outra hipótese de não ser um investidor. Muito contra a minha vontade".

Carlos André Gomes revelou que na reunião que teve com o grupo que está a requer a sua saída, alertou para os problemas que possam advir dessa situação:

"Eu expôs aquilo que são as consequências de um ato que pode ser, do meu ponto de vista, caótico para o Marítimo. Relativamente à ideia que essas pessoas possuem relativamente ao estado em que o clube pode ficar: "Eu, não lhe posso fazer esse juízo de valor, porque não sei o que é que vai na cabeça das pessoas". Nessa reunião, também não foi avançado um nome provável para liderar uma nova direção: "Não, disseram-me que, depois da Assembleia de destituição, logo que se via quem vinha". Depois, o atual president deixa o alerta: "fazer uma AG sem apresentar uma solução é perigoso. O club epode tornar-se caótico". Uma negociação com prováveis investidores também é problema com o atual clima em redor do clube. "Se na AG até posso sair com mais força, os possiveis investidores afastam-se, pois há outros clubes onde podem investor, apesar de o Marítimo ser apetecível". Quanto ao momento em que estão essas negociações: "Há um início de conversas que depois pode resuktar numa negociação que terá de ser levada a uma AG e os sócios aprovarem, sendo que o Marítimo ficará sempre maioritário. A SAD não tem dívidas o que é benéfico para quem quer investor".