O FC Porto-Benfica não é o único clássico do fim de semana no futebol português. É que já na tarde deste sábado há um dérbi lisboeta com 83 anos de história que decerto proporcionará fortes emoções, instantes de grande rivalidade e intensidade a rodos.

Com a subida à Liga 2 em duelo, a velhinha Tapadinha, em Alcântara, recebe o embate entre Atlético e Belenenses. Um confronto que, se quisermos incluir os antecessores do Atlético – os extintos Carcavelinhos e União Foot-Ball de Lisboa –, cumpriria este ano o seu centenário.

Com efeito, foi na época de 1925/26 que os azuis do Restelo defrontaram pela primeira vez os dois clubes que, em 1942, se fundiram para que nascesse o Atlético. E, contabilizando as diferentes denominações do emblema de Alcântara, já teriam acontecido mais de 150 jogos entre os dois clubes. Contas feitas, desde a fundação do Atlético há 83 anos, a equipas já se defrontaram em 77 ocasiões e, mais relevante, a sua maioria (48) no principal escalão do futebol português.

Nesse espaço temporal, Atlético e Belenenses viveram momentos de glória, mas também situações complicadas, com passagens pelos Distritais devido a cisões com as SAD, mas hoje, com a ambição de voltarem a ser duas equipas de primeira, medem forças na Liga 3.

O PESO HISTÓRICO

Presidente do Belenenses há uma década e sócio do clube há 36 anos, Patrick Morais de Carvalho sempre acompanhou o dérbi lisboeta com o Atlético de uma forma especial e reconhece a carga emocional que este tem para as duas instituições. Mas assume uma superioridade histórica sobre o rival.

«A rivalidade tem mais a ver com a proximidade dos bairros de Alcântara [sede do Atlético] e de Belém [origem do Belenenses]. Penso que as histórias de Belenenses e Atlético não são comparáveis, o Belenenses é um dos quatro grandes que o futebol português reconhece e o Atlético, mesmo do ponto de vista histórico, fica longe desse registo. O Belenenses, é evidente, tem um peso histórico muito superior», considera o líder dos azuis do Restelo, aludindo ao palmarés da instituição que, entre outras conquistas, já foi campeão nacional e conquistou três Taças de Portugal.

Patrick Morais de Carvalho saudou o regresso das históricas disputas com o Atlético: «Este jogo tem uma carga emocional muito superior e é preciso um banho de realidade – nos dias que correm, o Belenenses e o Atlético estão os dois na Liga 3, são rivais, estão ambos a lutar com mérito pela subida de divisão e neste sábado teremos um jogo de tripla.»

O objetivo é claro e passa por derrotar o Atlético e regressar à Liga 2 – da qual o Belenenses foi despromovido em 2023/24. E o presidente dos azuis do Restelo orgulha-se de que, caso o consiga, fá-lo-á com uma invejável saúde financeira.

«O clube não tem passivo, não tem dívidas à autoridade tributária ou à Segurança Social, o que me leva a dizer, como costuma dizer-se, que o Belenenses não está com as calcinhas na mão», declarou, satisfeito.

EMOÇÕES EM ALCÂNTARA

Ao contrário de Patrick Morais de Carvalho, que conhece de perto a experiência de um dérbi lisboeta entre Belenenses e Atlético, no lado de Alcântara esta é uma nova realidade para o seu principal responsável, que é… norte-americano: Gifford Miller, antigo porta-voz da Câmara de Nova Iorque, deixou os EUA, tornou-se empresário e passou a residir em Lisboa, onde se tornou investidor do Atlético.

«Temos um grande número de parceiros que investiram juntamente com a Signature Football Holdings, empresa americana que comprou 90% do Atlético. Eu sou o presidente e também o líder do grupo», revela o antigo político, que está em funções apenas desde o verão, mas que depressa ficou a par da rivalidade histórica.

«Claro que estou consciente do que é a rivalidade entre Atlético e Belenenses, que existe há mais de 80 anos e é muito intensa. Os nossos adeptos estão muito animados com a possibilidade de ganhar este jogo», revelou Miller, esperando ter uma alegria esta tarde.

«Este jogo é o mais importante da época para os nossos fãs e também para a equipa. Sentimos a paixão e a animação desta rivalidade e espero que tenhamos uma grande assistência para nos apoiar. Estamos só a quatro quilómetros do Restelo e tivemos uma competição forte entre nós, mas há algumas décadas que não conseguimos ganhar [desde 1983]. Já jogámos três vezes este ano [os venceram o primeiro duelo da época, seguindo-se dois empates] e precisamos de ganhar agora», assumiu.

A missão de Gifford Miller é clara: devolver o clube lisboeta que o apaixonou aos patamares nos quais já esteve em tempos idos. E, para isso, garante: «Trabalho muito com o clube e com a restante administração da SAD para tornar o Atlético mais forte e a jogar nos níveis mais altos, onde o clube pertence. O único objetivo da nossa empresa é trazer o maior apoio possível para o Atlético e garantir que os nossos adeptos possam ter o melhor estádio e equipa para continuarem a apoiar.

Desta forma, o norte-americano aponta à vitória e à promoção à Liga 2, já esta temporada. «Neste momento, estamos a apenas três pontos do segundo. É claro que o nosso objetivo é terminar pelo menos em segundo ou até, como fizemos na primeira fase, ficar em 1.º lugar», concluiu.