
É por isto que são chamados de Clássicos! Sporting e FC Porto deram aos amantes de futebol um daqueles jogos que ficam na memória, com qualidade, grandes golos e intensidade. No final, os dragões levaram a melhor, venceram por 1-2 e mostraram que a sua nova imagem é mesmo para ser levada a sério!
O ambiente em Alvalade era absolutamente frenético, com os adeptos, de ambas as equipas, a sentirem claramente o peso anímico deste jogo, mesmo sendo uma fase bastante precoce da temporada. Afinal, falávamos de dois crónicos candidatos ao título e, provavelmente, as duas equipas em melhor forma neste arranque de temporada.
Dentro das quatro linhas, rapidamente justificaram o porquê desse peso. Logo nos primeiros 15 segundos do jogo, Borja Sainz aproveitou uma bola perdida, no ar, na área leonina e disferiu um pontapé de bicicleta, acertando em cheio no poste. O estádio todo suspirou, por motivos distintos. Desde então, o ritmo demorou - e foi raro - a baixar.
Com dois estilos bastante distintos, as duas equipas foram para cima uma da outra. O FC Porto apostou na sua «nova» agressividade na recuperação - mesmo pressionando ligeiramente mais baixo que nos últimos jogos - e verticalidade, enquanto o Sporting era mais paciente com bola, mas sem medo de aproveitar os espaços deixados por essa mesma verticalidade portista.

Apesar desses estilos distintos, as duas equipas demonstraram coragem e a partida foi sendo eletrizante. Os dragões, contudo, pareciam estar mais confortáveis, beneficiando dessa intensa pressão - Rodrigo Mora, especialmente no miolo. Os leões até tiveram um par de grandes chances na transição, aproveitando esse estilo «kamikaze» dos azuis e brancos, mas a 1ª parte foi, no geral, dos forasteiros.
Depois de uma 1ª parte eletrizante, sentiu-se um maior respeito (ou receio de sofrer), de parte a parte no arranque da 2ª. Com o FC Porto a baixar ligeiramente a pressão, o Sporting procurou assumir e os adeptos foram respondendo, mas ia faltando ligação no último terço e o perigo tardava em surgir.
Do outro lado, no entanto, o FC Porto foi bem mais assertivo. Primeiro, aos 60', William Gomes desmarcou Alberto Costa na direita da área e este aproveitou uma desatenção defensiva para servir De Jong para um golo fácil. Depois, aos 64', o extremo brasileiro fez o momento da noite, quando deambulou da direita para o meio e rematou cruzado para um grande golaço. 0-2 e o bicampeão em maus lençóis.
O jogo mudava claramente de figura e o Sporting era obrigado, definitivamente, a assumir o jogo. Farioli percebeu a investida leonina e tentou fortalecer o corredor central, para retirar os criativos leoninos do jogo, mas acabou por ser «traído» quando, aos 74', Nehuen colocou a bola na própria baliza, respondendo ao cruzamento de Mangas na esquerda da área.
Como esperado, o Sporting tentou encostar o FC Porto às cordas na ponta final e Rui Borges colocou «a carne toda no assador», mas os dragões fecharam-se a sete chaves e foram os seus adeptos a festejar no final, depois de um grande jogo. Este «novo» FC Porto é mesmo para levar a sério.
(Em atualização)
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
William Gomes (FC Porto): irreverente, continua num grande momento e foi diferenciado, com um belo momento no lance do 1º golo e faz um autêntico golaço para o 0-2. Vai dificultar a vida a Pepê, quando este regressar.
Alberto Costa (FC Porto): o jovem lateral completa muito bem com os movimentos de William Gomes e esse dinamismo acabou por ser fundamental na manobra ofensiva deste Clássico. Defensivamente, esteve muito coeso - apesar do golo leonino surgir do seu lado.
Victor Froholdt (FC Porto): é o motor e coração da equipa, especialmente quando pretende pressionar tão alto e constantemente. Colecionou recuperações e acabou com uma assist~encia, para pintar uma bela exibição.
Luis Suárez (Sporting): os leões não estiveram nos seus melhores dias ofensivos, em parte por mérito portista, mas o avançado colombiano foi o elemento mais diferenciado nesse aspeto. Tentou o golo de diversas formas, foi solidário e fez por merecer mais.
O Árbitro
O árbitro João Gonçalves teve um jogo difícil para gerir, mas, no geral, teve uma exibição bem conseguida, tendo em conta a exigência da partida. Algumas faltas por assinalar, uns amarelos (menores) por mostrar, mas nada grave - o mais importante nestes jogos.
Incidentes: O filme do jogo











Marca o FC Porto! William Gomes desmarcou bem Alberto Costa na direita da área e este foi à linha de fundo cruzar. Luuk de Jong apareceu solto ao segundo poste a encostar para o 0-1

Que golaço!!! William Gomes recebeu na direita, puxou para o meio e não pensou duas vezes. Rematou cruzado, com um belo arco, e Rui Silva não teve hipóteses. 0-2


Reduz o Sporting! Mangas foi muito bem desmarcado na esquerda da área com um passe alto, cruzou de primeira e a bola foi bater em Nehuen Pérez, que «traiu» a sua equipa e colocou a bola na própria baliza

