
É com a motivação em alta que o Arouca, no 12.º lugar, com 25 pontos, e invicto há oito jornadas, se prepara para receber o FC Porto. Um duelo que o treinador Vasco Seabra, que acabou de renovar o contrato até 2026, projeta como altamente competitivo e de dificuldades acrescidas, apesar da fase inconstante que o 3.º classificado da Liga atravessa.
A ambição e atitude certas da equipa, contudo, fazem parte da ementa com que Vasco Seabra pensa travar os dragões no Municipal de Arouca, de onde apenas por uma vez os azuis e brancos saíram sem pontos. Foi essa uma das ideias fortes da antevisão do treinador dos lobos ao jogo deste sábado, às 18h00.
— Que impacto teve a renovação de contrato nas vésperas de receber o FC Porto?
— Era algo que já vinha sendo tratado de algumas semanas para cá. Até diria praticamente desde o início da nossa entrada. É um sinal de confiança que vimos sentindo das pessoas que nos lideram da estrutura, da ligação que temos criado com os jogadores e também da forma como nos sentimos valorizados e como nos sentimos confiantes para que as coisas possam correr bem. E, portanto, é um motivo de orgulho, de sinal dessa confiança, dessa empatia que criamos uns com os outros. E, portanto, sentimo-nos felizes com uma vontade muito grande e uma ambição muito grande de continuarmos a fazer bem e obviamente, se possível, fazermos melhor.
— Espera um FC Porto diferente ou no habitual 3x4x3?
— Mesmo dentro dessas dinâmicas do FC Porto, é uma equipa que varia muito em termos de construção, seja com os centrais a progredirem, seja com o médio em primeira fase a crescer e a circular com o guarda-redes. Ou seja, é um FC Porto que varia muito a forma de construir, varia muito também os jogadores e isso varia naturalmente depois os posicionamentos que ocupam. E, portanto, estamos preparados para enfrentarmos o que vier. Sabemos que vamos ter uma equipa ferida, que quer, obviamente, responder àquilo que tem sido também um momento menos favorável. Sabemos que vamos ter de lidar com um adversário cheio de qualidade individual, com um treinador que também chega com muita vontade de mostrar aquilo que consegue fazer.
Se eu começo a abrandar um bocadinho, estou a dar o pisca da direita e vem outro ultrapassa. Não há margem para isso. Temos de ir sempre na faixa máxima. Quem abrandar um bocadinho normalmente está fora
— E o Arouca? Como vai abordar o jogo?
— Nós, mais do que outra coisa qualquer, olhamos realmente muito para nós, para a nossa equipa, para aquilo que nós conseguimos fazer, para a forma como temos que, diante das forças do FC Porto, estar no nosso melhor e, naquilo que são as suas fragilidades, procurarmos aproveitar valorizando aquilo que é nosso. Por isso, será sempre muito a olhar para nós, com o objetivo de, obviamente, no jogo do gato e do rato, sermos nós a fazer por estar por cima. Ainda que as generalidades de opinião pública do mundo de futebol apontem mais defeitos do que virtudes, este FC Porto tem qualidade coletiva e de individualidades.
— Quais os maiores desafios colocados pelo FC Porto?
— Primeiro, acho que o principal desafio vai ser emocional, porque vai ser uma equipa que vem com uma vontade muito grande de entrar muito forte no jogo, de querer mostrar logo e dar logo uma resposta. Por isso, eu acho que esse é o principal desafio, pois é uma equipa cheia de qualidade e que obviamente vai entrar com um entusiasmo muito grande de querer dar essa resposta. E, portanto, nós estamos preparados para isso. Sabemos que vamos ter de lidar com um adversário que vem com essa força. E, independentemente daquilo que é a opinião de que os grandes estão assim ou assado, ou que está mais nivelado por cima ou por baixo, acho sempre que é muito interessante quando a gente analisa as coisas e analisa sempre as coisas pelo lado de eles estão piores. E há sempre a vontade de fugir à parte de que os que são menos grandes também trabalham muito e também complicam muito a vida dos outros. Por isso, acho que temos de realmente valorizar aquilo que tem sido também o trabalho das equipas médias, que procuram, naturalmente, retirar mais pontos aos grandes. E, obviamente, temos de saber que eles têm muita qualidade, eles vão fazer um jogo que nos vai levar para um grau de dificuldade altíssimo. E, portanto, temos de, nessa força deles, estar realmente na nossa maior virtude, que é a capacidade de competirmos e de nos unirmos e olharmos para o jogo com uma competição muito grande.
— Já ter derrotado o FC Porto dá-lhe uma motivação extra?
— É sempre bom ganhar. Por isso, no ano passado, as três vezes que vencemos [Vasco Seabra era treinador do Estoril] foram muito saborosas. Agora estamos no Arouca, é um clube diferente. Os jogadores, também do ano passado, muitos deles mudaram, tanto de um lado como do outro. Obviamente que esses registos nos dão o conforto de saber que é possível. Por isso, temos de olhar para o jogo com essa capacidade de que é possível, mas, para isso, temos de estar a 100 por cento, temos de estar no limite máximo, com os níveis de concentração altíssimos e uma confiança muito grande também naquilo que tem sido esta sequência que temos vindo a fazer. Estamos há oito jogos a pontuar. É um registo que também é importante para nós e que também demonstra o nosso momento e aquilo que somos capazes de fazer.
— As fragilidades do FC Porto são oportunidades para o Arouca?
— Sim, nós, cada jogo que temos, olhamos para ele realmente como uma oportunidade. É uma expectativa sempre muito grande de podermos competir e jogar pelos três pontos. Por isso, este jogo não foge à regra. Podemos jogar contra a melhor equipa do planeta, que vamos sempre entrar para querer ganhar e, à partida, eu não vou assinar por baixo um 0-0 ou um 3-3. Confio muito nos jogadores. Confio muito também naquilo que é o nosso trabalho. Acredito sempre que há uma margem de a gente poder competir e conseguir valorizar aquilo que é nosso e aquilo que somos capazes de fazer. Por isso, acredito muito que é sempre uma oportunidade que a gente tem, desafiar-nos, olhar para a baliza do FC Porto, queremos olhar para a baliza deles com vontade e atacarmos. Queremos defender a nossa casa. Por isso, junto com os nossos adeptos, na nossa força e união coletiva, olharmos para isso como uma oportunidade de fazermos três pontos.
— Há perigo de deslumbramento do Arouca nesta fase da época?
— Nós olhamos para o nosso registo como algo que queremos sempre fazer melhor. Não somos de olhar muito para a frente e também não gostamos de ficar muito a olhar para trás. Ou seja, gostamos muito de viver aquilo que é o dia-a-dia, aquilo que é o nosso processo diário, porque quando a gente olha muito para a frente tropeça, quando olha muito para trás não vê o que vem, por isso nós vivemos muito naquilo que é o dia-a-dia. Os jogadores sabem que não temos margem para deslumbramentos de absolutamente nada, porque quem vive cá, dentro desta casa, sabe uma coisa: todos os dias tem de ser uma oportunidade de a gente lutar, de competir. Se eu começo a abrandar um bocadinho, estou a dar o pisca da direita e vem outro ultrapassa. Não há margem para isso. Temos de ir sempre na faixa máxima. Quem abrandar um bocadinho normalmente está fora. Por isso é que tenho orgulho também no plantel e sentimos que temos essa competitividade para fazer.
— Dylan (aniversariante) ou Henrique Araújo no ataque?
— Dificilmente dou prendas aos jogadores, eles têm mesmo de as conquistar. Eles sabem disso. Nunca há oportunidade vinda do nada. As oportunidades que vêm vão ser sempre conquistadas por eles. Eles sabem que eu sou muito exigente com eles. Defendo-os com tudo o que tenho. Mas eles sabem também que para eu os defender, eles têm de dar tudo o que têm no treino e competirem para poderem ser chamados. O Dylan, tal como os outros, tem entrado muito bem. Quem tem vindo do banco tem ajudado quase sempre. Todos os que estão lá dentro têm cumprido quase sempre. Quando não cumprem tão bem, surgem oportunidades para outros. Este é o desafio, é o ciclo diário. Por isso, estamos felizes com o grupo. O Dylan, felizmente, tem também cumprido com esse desafio. Amanhã [hoje] o Martín Anselmi vai ter que esperar para ver o onze quando sair.