
O nervosismo é digno de outros momentos da temporada, mais adiantados, de jogos mais complicados e a valerem mais do que simples três pontos. Mas o Manchester United de Ruben Amorim é, logo às primeiras semanas da época, uma equipa a caminhar por cima de brasas.
Depois de dois jogos sem vencer na entrada da Premier League e da trágica eliminação a meio da semana frente ao Grimsby Town, da quarta divisão, na Taça da Liga inglesa, à qual se seguiu declarações frustradas do técnico português, apontando o dedo aos jogadores, o encontro da 3.ª jornada do campeonato vestia-se com uma capa primordial: para estancar as dúvidas e a rumorologia sobre a continuidade de Amorim, a vitória frente ao Burnley era essencial.
E a vitória apareceu, mas não sem dramatismo e não sem manter as imensas dúvidas sobre a qualidade do plantel e opções tomadas na preparação da época pelo United. Foi aos 90’+7 que Bruno Fernandes tocou suavemente a bola desde a marca de penálti para a baliza, salvando a sua equipa de um empate embaraçoso, depois de na primeira parte ter tido mais do que oportunidades para resolver a contenda frente a uma das formações mais frágeis da Premier League.
O auto-golo de Josh Cullen ainda antes da meia-hora dava ao United uma vantagem merecida e que, no apito para o intervalo, podia ser bem mais volumosa. Mesmo antes do final do primeiro tempo Diallo falhou um remate fácil após contra-ataque viperino e logo a seguir foi Zirkzee, só com Dúbravka pela frente, a não conseguir armar um tiro digno, com a baliza ali tão perto.
A entrada adormecida da equipa de Amorim na 2.ª parte, já depois de perder Matheus Cunha por lesão, redundou no golo do Burnley: marcou Lyle Foster aos 55’, para desespero do técnico português, que nem festejou a resposta quase imediata da sua equipa, com Mbeumo a voltar a colocar o United em vantagem dois minutos depois, após cruzamento atrasado de Diogo Dalot.
Grupo de jogadores dado a tremeliques, pouco capaz de ter calma com bola, procurando frequentemente as bolas bombeadas e demasiadamente os cruzamentos, o Manchester United deixou-se, como tantas vezes, enlear-se nas redes de uma vantagem nada sólida e o Burnley voltou a empatar aos 66’, por Jaidon Anthony, num lance em que, como já vem sendo habitual, o guarda-redes do Man. United, hoje o turco Bayindir, tremeu. Que uma equipa como o Manchester United não tenha um guardião ao nível do que se exige na Premier League continua a ser difícil de entender.
Daí até final, o que se viu foi uma equipa desesperada em busca da vitória, mas com poucas ideias para o conseguir. A entrada de Benjamin Šeško não melhorou em nada o processo ofensivo dos red devils, com o avançado esloveno, que custou mais de 75 milhões de euros, ainda muito desligado da equipa, e pouco eficaz nas oportunidades que foi tendo - Amorim preferiu Zirkzee quando Matheus Cunha se magoou e isso quererá dizer algo.
Seria um penálti descortinado pelo VAR já nos descontos que permitiu a Bruno Fernandes escavar e encontrar três pontos que estavam difíceis de chegar a Old Trafford. Foram precisos 26 remates (só seis deles à baliza) para agarrar a primeira vitória oficial na época, festejada como se de um título se tratasse. Os (muitos) problemas continuam lá. A janela de transferências continua aberta até segunda-feira e há muitas áreas onde o United precisa desesperadamente de opções, seja a meio-campo como na baliza.