A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, visitaram hoje a fronteira polaco-bielorrussa, e as tropas que patrulham a fronteira leste da União Europeia, que tem registado um aumento da migração ilegal.

Von der Leyen expressou a "plena solidariedade da Europa para com a Polónia como país de primeira linha" face aos "ataques híbridos deliberados" e sublinhou que as fronteiras da União Europeia (UE) são uma "responsabilidade comum" de todos os Estados-membros.

Referiu-se ainda ao plano de Defesa europeu dotado com 800.000 milhões de euros até 2030, e em concreto ao programa SAFE, com 150.000 milhões de euros para compras conjuntas de armamento que "beneficiará principalmente a Polónia e pode ser usado para fortalecer a base industrial da UE e da Ucrânia".

A presidente da Comissão Europeia adiantou que os investimentos em "proteção e gestão de migração e fronteiras" triplicaram no novo orçamento da UE para os próximos sete aos e explicou que os países com fronteiras com Bielorrússia e Rússia vão receber fundos adicionais, o que, disse, demonstra a "determinação europeia".

Por seu lado, Tusk sublinhou a sua intenção de fazer "zero concessões" às provocações do lado bielorrusso.

"Ninguém nos intimidará ou assediará", disse Tusk, frisando ainda que "usar subtilezas com Putin" não vai "garantir a segurança".

A visita de von der Leyen faz parte de um périplo pelos países da UE com fronteiras com a Rússia e a Bielorrússia, tendo visitado os destacamentos de Krynki e Ozierany Mate, na região de Podláquia (este da Polónia), onde, segundo as autoridades polacas, tem sido registo um aumento dos fluxos migratórios ilegais.

Varsóvia responsabiliza a Bielorrússia pela situação, considerando que faz parte de uma "guerra híbrida".

Segundo a guarda fronteiriça polaca, na fronteira com a Bielorrússia registou-se nas últimas semanas um aumento de travessias ilegais, com 550 casos de migração ilegal detetados entre 08 e 11 de agosto só na região de Podláquia.

Em julho foram registados quase 3.400 tentativas de atravessamento ilegal da fronteira e o total do primeiro semestre fixou-se em 14 mil casos.

Varsóvia tem denunciado agressões com pedras, paus e 'cocktails molotov' contra as patrulhas polacas, com um aumento de incidentes violentes desde o início do verão.

A Polónia ergueu um muro de 400 quilómetros na sua fronteira com a Bielorrússia e instalou um dispositivo com sistemas eletrónicos avançados, com câmaras térmicas e sensores, ao longo de 206 quilómetros da barreira.

Estabeleceu ainda uma zona de exclusão de 200 metros ao longo de toda a fronteira, com restrições de acesso para civis.