
O ataque ao Hospital Nasser, em Gaza, provocou a morte de pelo menos 20 pessoas. Agora, uma análise visual do jornal “The New York Times" coloca em causa o que o exército israelita alegadamente pretendia atingir e explica por que motivo uma segunda ofensiva matou socorristas e jornalistas.
O momento antes de o exército israelita atingir um grupo de jornalistas e trabalhadores de socorro que respondiam a uma primeira explosão no hospital foi registado em vídeo. Esta segunda ofensiva, ocorrida nove minutos após a inicial, incidiu sobre um local amplamente frequentado por jornalistas. Hospitais, profissionais de saúde e meios de comunicação são protegidos por leis internacionais de guerra.
Entre os mortos contam-se cinco jornalistas e quatro profissionais de saúde. O exército israelita afirmou que o ataque visava uma câmara operada pelo Hamas utilizada para rastrear as suas tropas, mas não forneceu qualquer prova sobre o tipo de câmara, a sua localização ou a justificação para disparar sobre um hospital e jornalistas.
A análise das imagens e do vídeo da cena levanta questões sobre o verdadeiro alvo inicial e sobre a decisão de lançar um segundo ataque que matou socorristas e mais jornalistas. Israel atingiu inicialmente duas áreas do hospital, incluindo uma escadaria exterior virada a leste, frequentemente utilizada por jornalistas, como a freelancer da AP Mariam Abu Daqqa. A Reuters transmitia livestreams dessa escadaria ao longo da semana antes do ataque, e a Associated Press fez o mesmo recentemente, segundo explica o jornal “The New York Times" na mesma análise visual.
O primeiro ataque matou pelo menos duas pessoas, incluindo o operador de câmara da Reuters Hussam al-Masri. Imagens captadas pela sua câmara mostram o momento do impacto e a confusão imediata após a primeira explosão, incluindo uma segunda posição atingida nas proximidades. No entanto, não se observa qualquer câmara de vigilância no local, apenas a destruição causada pela ofensiva.
Nove minutos passados desde a primeira explosão, o exército disparou novamente, atingindo a mesma área e matando a maioria das pessoas presentes na escadaria, entre elas mais jornalistas e socorristas. A jornalista da AP Mariam Abu Daqqa foi uma das vítimas, enquanto o fotógrafo da Reuters Hatem Khaled sobreviveu com ferimentos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, descreveu os ataques como um trágico acidente. A investigação inicial identificou seis militantes palestinianos mortos e envolveu a Brigada Golani — a mesma unidade responsável pela morte de 15 trabalhadores de emergência palestinianos em março. Apesar de terem sido admitidas violações de ordens e a demissão de um subcomandante, ninguém foi responsabilizado criminalmente.