
[Última atualização às 18:58]
Pelo menos 19 pessoas morreram, incluindo quatro crianças, e dezenas ficaram feridas na madrugada de hoje em Kiev devido a um ataque massivo russo com 629 'drones' e mísseis contra o território ucraniano, declararam as autoridades ucranianas.
Entre os mortos há quatro crianças, mas as autoridades temem que o número de vítimas possa aumentar, enquanto as equipas de resgate permanecem no terreno para salvar as pessoas presas sob os escombros.
Foi o primeiro grande ataque combinado russo a Kiev em semanas, enquanto os Estados Unidos lideram os esforços de paz.
"Estes mísseis e drones de ataque russos são uma resposta clara a todos aqueles que, durante semanas e meses, apelaram para um cessar-fogo e para uma verdadeira diplomacia no mundo. A Rússia escolhe os mísseis balísticos em vez da mesa de negociações. Escolhe continuar a matar em vez de acabar com a guerra", afirmou o Presidente ucraniano.
"Esperamos uma reação da China ao que se está a passar", exigiu o Presidente ucraniano, referindo que Moscovo tem ignorado até agora os apelos de Pequim. Volodymyr Zelensky pediu ainda a aplicação de novas sanções contra a Rússia, de forma a responsabilizá-la, uma vez que "todos os prazos expiraram, dezenas de oportunidades de diplomacia foram arruinadas".
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, denunciou que mísseis russos atingiram esta quinta-feira a delegação da União Europeia (UE) em Kiev, na Ucrânia.
António Costa, condenou a ação "deliberada" da Rússia numa "noite de ataques mortíferos" com mísseis russos a serem lançados contra civis e pessoal da delegação da União Europeia (UE) em Kiev, na Ucrânia.
Os funcionários da delegação da União Europeia (UE) em Kiev estão "em segurança" apesar dos "bombardeamentos implacáveis da Rússia" que atingiram o edifício da equipa comunitária em Kiev, na Ucrânia, disse a presidente da Comissão Europeia.
Entretanto, o ministro do Interior, Igor Klimenko, disse na televisão que sete pessoas foram dadas como desaparecidas num bloco de apartamentos no na área de Darnitsky, o que significa que o número de mortos pode aumentar.
Kiev não foi o único alvo dos ataques russos esta noite, uma vez que na região central de Vinnytsia as autoridades regionais comunicaram um ataque a uma instalação de energia, que cortou temporariamente a eletricidade a 60.000 consumidores em 29 localidades.
Pelo menos três bairros da cidade foram alvos de um "ataque maciço", segundo o presidente da câmara, Vitali Klitschko.
O chefe da administração militar da capital, Tymour Tkatchenko, referiu no Telegram a ocorrência de um "ataque balístico russo" que provocou, nomeadamente, incêndios numa creche e num edifício residencial.
Para além dos ataques na capital, a companhia ferroviária ucraniana relatou um "forte ataque" russo, que causou cortes de energia na região de Vinnytsia (centro), provocando atrasos nos comboios.
Os ataques na Ucrânia e na Rússia têm continuado nos últimos dias, apesar da intensa atividade diplomática para tentar pôr fim ao conflito desencadeado em fevereiro de 2022 pela invasão russa.
O exército russo, que ocupa cerca de 20% da Ucrânia, no leste e no sul, acelerou o avanço no terreno nos últimos meses, beneficiando do enfraquecimento da resistência ucraniana, com menos efetivos e menos bem equipada.
Pela primeira vez na passada terça-feira, a Ucrânia reconheceu que soldados russos entraram na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), onde Moscovo já reivindicava avanços desde julho.
Com Lusa