"Desde 02 de março que Israel bloqueia o fluxo de ajuda para o devastado território palestiniano --- o bloqueio mais longo desde o início da guerra --- causando escassez de alimentos, água potável, abrigo e material médico", disse a Unicef.

Num comunicado, a agência das ONU pediu a Israel que retome o cessar-fogo com o movimento islamita palestiniano Hamas, quebrado unilateralmente em 18 de março, e permita a entrada de ajuda no território.

O diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente, Edouard Beigbeder, lamentou que se trate de mortes evitáveis, uma vez que a agência tem "milhares de paletes de ajuda à espera de entrar no enclave", mas que não podem ser entregues devido ao encerramento dos corredores humanitários.

"Isto não é uma opção ou uma caridade; é uma obrigação ao abrigo do direito internacional", afirmou Beigbeder, exigindo mais uma vez que "a passagem destes mantimentos seja permitida imediatamente".

A agência das Nações Unidas enfatizou a particular vulnerabilidade dos quase 10 mil bebés com menos de seis meses que necessitam de alimentação suplementar, num país onde atualmente só existe fórmula suficiente para alimentar 400 crianças durante um mês.

O acesso a água potável também foi drasticamente reduzido no enclave palestiniano e prevê-se que diminua ainda mais se o combustível acabar, obrigando as famílias a "utilizar água contaminada e aumentando o risco de surtos de doenças, especialmente entre as crianças".

Beigbeder apelou diretamente às autoridades israelitas, exigindo-lhes que garantam o fornecimento das necessidades básicas, incluindo alimentos, medicamentos e outros mantimentos essenciais para a sobrevivência, bem como "a entrada e livre circulação de ajuda humanitária e bens comerciais na Faixa de Gaza".

Horas antes, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, disse que um total de 1.150 bebés com menos de um ano foram mortos desde o início da guerra no território, em 07 de outubro de 2023.

Segundo um relatório, entre as vítimas estão 274 bebés que nasceram e morreram "sob bombardeamento" e outras 876 crianças com menos de um ano que também morreram na sequência dos ataques israelitas contra o enclave palestiniano.

Além disso, 17 crianças morreram de frio nos campos de deslocados e 52 de fome e subnutrição devido à guerra e ao bloqueio, segundo o balanço do Ministério, com base em dados do Gabinete Central de Estatísticas da Palestina, citados pela agência de notícias EFE.

Segundo as autoridades, 1,95 milhões de crianças estão em situação de insegurança alimentar grave e 345 mil estão numa fase catastrófica, com 12 mil em desnutrição severa.

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