
Na madrugada desta quinta-feira, a Rússia realizou um ataque em larga escala a Kiev, capital da Ucrânia. Pelo menos 14 pessoas morreram, incluindo três crianças, e dezenas ficaram feridas. Após a ofensiva russa, líderes mundiais condenaram a ação de Moscovo e reiteraram o apoio ao país governado por Volodymyr Zelensky.
Zelensky foi o primeiro a pronunciar-se sobre os ataques. "Neste momento, em Kiev, as equipas de primeiros socorros estão a limpar os escombros de um edifício residencial comum após um ataque russo. Mais um ataque massivo contra as nossas cidades e comunidades. Mais mortes", escreveu na rede social X (antigo Twitter).
O Presidente também pediu uma reação da China e da Hungria. "A China tem apelado repetidamente para que não se expanda a guerra e para que se chegue a um cessar-fogo. No entanto, isso não está a acontecer por causa da Rússia. Esperamos uma reação da Hungria. A morte de crianças deve, sem dúvida, suscitar emoções muito mais fortes do que qualquer outra coisa".
"Horrorizado por outra noite de ataques mortais com mísseis da Rússia à Ucrânia", escreveu António Costa, Presidente do Conselho Europeu. O antigo primeiro-ministro de Portugal afirmou que a delegação da União Europeia presente no país foi atingida e reforçou o apoio do continente a Kiev. "A UE não vai ser intimidada. As agressões russas apenas reforçam a nossa determinação para apoiar a Ucrânia e o seu povo".
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também condenou a ofensiva russa. Von der Leyen afirmou que a equipa da UE presente no país está "segura" e deixou claro que a "Rússia deve parar os seus ataques indiscriminados contra infraestruturas civis imediatamente". A líder europeia também exigiu a presença de Moscovo em negociações por uma "paz duradoura".
Portugal foi um dos primeiros países a emitir um comunicado a condenar as ações russas. O país entende que este ataque "mina os esforços de paz" e é "intolerável". O Ministério de Negócios Estrangeiros também reiterou o apoio português à Ucrânia.
Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, afirmou que "cada agressão da Rússia nesta guerra injusta é um novo golpe contra a paz". O líder do executivo em Espanha também condenou a ofensiva contra a delegação da União Europeia, considerando esta ação como uma "violação flagrante do direito internacional".
Emmanuel Macron, que esteve na reunião realizada com Donald Trump na Casa Branca semana passada para negociar o fim do conflito, ironizou os esforços russos por um cessar-fogo. "629 mísseis e 'drones' numa noite sobre a Ucrânia: eis a vontade de paz da Rússia. Terror e barbárie", escreveu.
O chefe de Estado mencionou os estragos causados pela ofensiva, como "mais de uma dezena de mortos" e danos aos escritórios da Delegação da União Europeia e do British Council. Por fim, o país condenou "com a maior firmeza estes ataques".
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, demonstrou solidariedade com "todos os afetados pelos ataques russos sem sentido". O líder do Partido Trabalhista acusou Vladimir Putin de estar "a matar crianças e civis, e a sabotar as esperanças de paz".
Outros chefes de Estado de países menores também demonstraram apoio à Ucrânia. Gitanas Nausėda, Presidente da Lituânia, disse estar "chocado" com o "ataque maciço" promovido pela Rússia, enquanto Maia Sandu, Presidente da Moldávia, entende que a ação de Moscovo é mais uma prova de que a Rússia traz "guerra e mortes". Edgars Rinkēvičs, Presidente da Letônia, afirmou que "a Rússia não quer paz, ela quer guerra" e reiterou o apoio do pais à Ucrânia.
Texto escrito por João Sundfeld e editado por João Miguel Salvador