O médico que no Governo de António Costa foi escolhido para ser o primeiro diretor executivo do SNS, Fernando Araújo, vai ser o nº 1 na lista de candidatos a deputados que o PS apresentará pelo círculo do Porto.

O plano é, caso Pedro Nuno Santos forme Governo após as próximas eleições legislativas, ser o próximo ministro da Saúde. A notícia foi avançada na edição desta sexta-feira do Expresso e esta manhã confirmada de viva voz pelo secretário-geral do PS, falando com jornalistas à entrada da Futurália.

As listas do PSD não surpreendem ninguém. Eles têm Ana Paula Martins, nós temos Fernando Araújo. A saúde é um dos exemplos máximos da incompetência deste Governo em resolver problemas”, afirmou o secretário-geral do PS.

Segundo o líder do PS, “Fernando Araújo é uma figura consensual [que] inspira confiança e segurança aos portugueses”, o que é preciso na área da saúde.

O PSD preferiu manter na lista de deputados, isso é um sinal evidentemente, a responsável máxima pelo falhanço na saúde”, acusou, numa referência à presença da ministra da Saúde nas escolhas que foram feitas esta semana pelos sociais-democratas.

"Estou sempre disponível para ajudar o SNS", tinha dito disse Fernando Araújo esta quarta-feira aos jornalistas, quando o questionaram sobre a possibilidade de ser candidato a deputado ou ministro, no final de um debate com especialistas em saúde promovido pela direção nacional do PS para preparar o seu programa eleitoral.

Enquanto porta-voz dessa reunião, o médico portuense - que foi secretário de Estado adjunto e da Saúde entre 2015 e 2019 - acusou o atual Governo de não confiar no SNS e de não ter uma visão e um plano para a sua gestão, considerando que o PS acredita neste sistema e nos seus profissionais.

"O Governo e o Ministério da Saúde acharam que não tinham capacidade para gerir o SNS e era preferível entregar essa gestão a outros. O que nós hoje observamos aqui à volta desta mesa, é que há formas de gerir melhor o SNS. Há propostas, há medidas, há opções que podemos tomar", defendeu.

Em sua opinião, "o Governo e o Ministério da Saúde não confiam no SNS". "Nós acreditámos no SNS e nos seus profissionais. Eu acho que essa é a grande diferença. E por isso, saímos daqui com a consciência de que o trabalho vai ser demorado, o trabalho é exigente e é complexo, mas é possível voltar a dar uma vida nova ao SNS, em que os utentes e os profissionais acreditem".

Questionado sobre avaliação que fazia do rumo da direção executiva do SNS - cargo de que se demitiu há mais de um ano, já na vigência do atual Governo -, Araújo respondeu que aquilo que o preocupa vai mais longe do que essa estrutura porque o que está em causa é “a própria gestão global do SNS": "Muito mais que a direção executiva, é o SNS como um todo que nos preocupa, a ausência de uma visão e de um plano para essa gestão."