
Os alunos dos colégios privados conseguem obter nos exames nacionais resultados mais próximos das notas atribuídas pelos professores ao longo do ano, enquanto nas escolas públicas há maiores diferenças em relação às classificações internas.
Entre as mais de 500 escolas públicas e privadas, não há nenhuma onde a média das notas dos alunos nos exames nacionais tenha ficado acima da média das notas atribuídas pelos professores, mas há estabelecimentos de ensino onde os resultados foram muito próximos.
Segundo uma análise feita pela Lusa aos resultados obtidos no ano letivo de 2023/2024, houve sete escolas com uma diferença inferior a um valor (numa escala de zero a 20) entre a média nos exames e as notas internas, todas privadas.
Colégio de São Tomás com alunos melhor preparados
O Colégio de São Tomás, em Lisboa, foi aquele que, deste ponto de vista, melhor conseguiu preparar os alunos para os exames nacionais, cuja média (15,39 valores) foi idêntica à da classificação interna (15,45), com uma diferença de apenas 0,06 valores.
No 'ranking' geral realizado pela Lusa, que ordenou as escolas pelos melhores resultados nos exames nacionais, este colégio surge em 5.º lugar, mas olhando apenas para a média da classificação interna final é preciso descer até ao 86.º lugar para a encontrar, atrás de dezenas de escolas onde os professores atribuíram melhores notas ao longo do ano, mas o desempenho na avaliação externa ficou aquém.
Entre os 20 estabelecimentos de ensino com menor diferença, aparece apenas uma escola pública: a Escola Básica e Secundária Padre José Augusto da Fonseca, em Aguiar da Beira.
Naquela escola do distrito da Guarda, os alunos do 11.º e 12.º anos alcançaram uma média de 11,84 valores nos exames, apenas 1,71 valores abaixo da média das notas atribuídas pelos professores pelo seu desempenho durante o ano letivo.
Diferença entre notas internas e dos exames é maior no público
Em comparação com os colégios, a diferença entre as notas internas e as dos exames nacionais tende a ser maior nas escolas públicas: se na esmagadora maioria das escolas públicas (79,91%) as notas dadas pelos professores superaram em, pelo menos, três valores as notas dos exames, no caso dos privados o cenário é inverso e 65,79% registaram uma diferença abaixo desse valor.
Enquanto nos privados apenas 2,59 valores separam a média interna da média dos exames, a diferença sobe para 3,44 valores quando se olha para as escolas públicas.
Por outro lado, na lista das 20 escolas com maiores diferenças, surgem apenas três colégios: o Real Colégio de Portugal, em Lisboa, o Colégio Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha, e o Externato Álvares Cabral, também em Lisboa, que lidera pela negativa. A nota interna dos alunos do externato foi 13,97 valores, 7,07 valores acima dos resultados médios nos exames.
Os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação mostram ainda que, à semelhança do Externato Álvares Cabral, são várias as escolas em que a média nos exames nacionais foi negativa, mas a nota interna atribuída pelos professores ficou acima da média nacional.
Entre as escolas com maiores diferenças entre as notas internas e os exames nacionais, destacam-se ainda a Escola Secundária Fonseca Benevides, em Lisboa, onde a média interna foi de 14,62 valores, mas nos exames a média desceu para 7,91, seguindo-se a secundária da Baixa da Banheira (6,69 valores de diferença) e o Colégio Rainha D. Leonor (6,32 valores de diferença).
As quatro integram uma lista de 20 escolas com uma diferença entre as duas médias acima de cinco valores e 144 escolas com uma diferença acima de quatro valores, das quais sete são colégios (4,86).